Arrecadação de brinquedos, comida, leite e muita festa. O final do ano reascende o espírito de solidariedade e muitas famílias carentes de Bauru contam com a boa vontade de voluntários para passar o Natal e o fim de ano. Porém, mesmo antes das festas, muitos precisam de ajuda. E a morte de um animal ou até as férias escolares podem tornar uma situação, que já não era boa, ainda pior.
Foi o que aconteceu com a família de Badia Nonato, 66 anos. Ela foi a única que permaneceu no Jardim Samburá depois do processo de desfavelamento do local. Vivendo com o marido, um filho e o irmão em um cômodo de uma construção inacabada, ela perdeu a única fonte de renda há cinco meses, quando o cavalo que puxava a sua carroça morreu.
Sem o animal, passou a empurrar um carrinho, mas o veículo quebrou em pouco tempo. Sem ter como recolher recicláveis, não consegue dinheiro há um bom tempo. “Eu tenho juntado a sucata no braço, mas não dá para juntar muita coisa”, lamenta.
Ela mora há 27 anos no local. Antes, dividia com a família um barraco de madeira, que incendiou no começo do ano. Com a ajuda da sogra, juntou tijolos, cimento e começou a construir uma casa de dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Sem o dinheiro que conseguia com a venda de sucata, não pode mais pagar o pedreiro, que cobrava R$ 30,00 ao dia e nem comprar o material necessário.
Com as telhas que arrumou, cobriu um dos quartos já construídos da casa e mora lá com o marido e o filho. O irmão, que tem problemas mentais, mora em frente, num quarto de madeira, que mal é fechado nas laterais. O almoço e a janta vêm da bondade da sogra e do cunhado. Ainda assim, Badia encontra recurso para cuidar de uma tia que mora ao lado e também apresenta problemas mentais.
Bento Pereira Silvério, companheiro de Abadia, pede uma oportunidade para voltar a trabalhar. “Se eu tivesse um cavalo, recolheria a sucata, rapidinho. Logo a gente voltava a construir”, diz. Há quatro meses a construção está parada. Sem ter como conseguir dinheiro, não acredita em um Natal feliz. “Não temos geladeira, o fogão funciona uma boca só. Vamos passar o Natal aqui mesmo”, lamenta.
Fome
As 15 Escolas Municipais de Ensino Infantil Integrado (Emeiis) e 26 creches conveniadas com a prefeitura que atendem crianças de até 6 anos de idade entraram em recesso em dezembro. Para algumas famílias carentes, com as creches fechadas aumentam as dificuldades para alimentar as crianças. Muitas delas estão acostumadas a tomar café da manhã e almoçam nas instituições.
Na casa da faxineira desempregada Maria Cristina Alvarenga, 31 anos, as dificuldades são muitas. Ela mora em uma casa alugada no Parque Real e a única renda que possui é o Bolsa-Família, do governo federal. Ela recebe R$ 95,00 para sustentar a si mesma e três filhos.
A filha mais nova, Sara Lídia Alvarenga Alves, fazia as refeições nacreche. Como está em férias, a mãe pede ajuda para os vizinhos para sustentar os filhos. No armário de sua casa, sobrou apenas uma pequena quantidade de feijão, farinha e sal. “Minha filha acordou chorando, com fome. Encontrei em casa algumas moedas e ela foi comprar pão”, conta a mãe, dizendo que não tinha mais nada a oferecer aos filhos.
• Serviço
Quem puder ajudar a família de Maria Cristina, seja através de doação de alimentos ou mesmo oferecendo emprego a ela, pode telefonar para 3218-8584 (número para recados).