São Paulo - A mãe que se jogou no rio Pinheiros abraçada ao filho de três anos no sábado passado disse ontem que logo após pular da ponte João Dias (zona sul de SP) arrependeu-se e tentou nadar para a margem. Ela afirmou que sofre de transtornos psicológicos e teria interrompido um tratamento por falta de recursos. A criança foi salva por um rapaz que passava pelo local.
A auxiliar administrativa Janaína Barbosa de Souza, 26 anos, está internada no Hospital Regional Sul (zona sul), onde se recupera de uma lesão na coluna após se atirar no rio, de uma altura de cerca de 20 metros. Ontem, ainda abalada e sob escolta policial - foi indiciada por tentativa de homicídio - ela realizou exames no Hospital das Clínicas, em Pinheiros (zona oeste).
Durante o caminho, ela falou com a reportagem. “Logo depois que pulei no rio pensei: meu filho não tem culpa de nada, os problemas que tenho são só meus”, afirmou. Ela diz que chegou a bater os pés no fundo do leito do rio, e teve de dar um impulso para voltar à superfície. “Eu só pensava em salvar meu filho. Aí comecei a tentar nadar desesperadamente para chegar à margem”, relatou Janaína.
Ela conta que não se lembra com exatidão como foi auxiliada pelo analista de sistemas Adriano Levandoski de Miranda, 27 anos, que pegou o filho dos braços dela. “Se ele realmente me ajudou como está sendo divulgado, agradeço a ele de coração.” Janaína afirmou que desde este ano tem problemas psicológicos diagnosticados por um médico. Porém, há cerca de dois meses, teria interrompido um tratamento por falta de dinheiro para comprar remédios antidepressivos. “Agora pretendo retomar a medicação e procurar ajuda de um médico novamente. Quero continuar minha vida com meu filho”, contou a mãe.