Regional

Região tem 41 áreas contaminadas

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), em Bauru, divulgou nesta semana um relatório que aponta as áreas de contaminação na região.

Os postos de combustíveis, em quantidade, 73%, são os campeões em contaminação do solo. Vários estabelecimentos estão sendo monitorados pelo órgão em cidades como Jaú, Itapuí, São Manuel e Dois Córregos.

O relatório da Cetesb, somente nessas cinco cidades, aponta quatro postos de combustíveis como pontos de contaminação. No geral, a contaminação ocorre devido à armazenagem irregular, como, por exemplo, vazamento em tanques de combustíveis. Quando isso ocorre, normalmente, o meio impactado é o subsolo e as águas subterrâneas na área da propriedade.

“A Cetesb está trabalhando mais em relação à contaminação de solo e de águas subterrâneas. O trabalho preventivo está sendo maior. O principal fator que contribui para a contaminação são os postos de gasolina, 73%, seguido das indústrias, 16%, e, em terceiro, as áreas comerciais, 6%”, revela o gerente da Cetesb, Alcides Tadeu Braga.

Em Lençóis Paulista, o levantamento da Cetesb aponta dois pontos de contaminação, ambos em áreas industriais. Em uma indústria de celulose, a contaminação ocorreu através de infiltração que contaminou, com metais, o subsolo e águas subterrâneas dentro da propriedade.

O local está sob monitoramento ambiental. Na mesma cidade, uma indústria química também passa por monitoramento depois que a Cetesb constatou a contaminação por solventes halogenados e aromáticos halogenados. A agressão à parte superficial do solo, assim como o subsolo e águas subterrâneas, ocorreu através de armazenagem imprópria de produtos.

“Ela (a indústria química) instalou os tanques e começou a armazenar material orgânico clorado, que eram resíduos de uma multinacional da região do ABC. Eles não chegaram nem a obter a licença da Cetesb para a instalação, era clandestino. Começou a ter vazamento nos tanques e, em função das autuações, eles pararam. A Promotoria de Lençóis conseguiu, por meio de documentação, a assinatura de um ajustamento de conduta com a multinacional e agora eles vão começar a recuperar o local”, comenta Braga.

Nas 34 cidades da região atendidas pela Cetesb, foram levantados 41 locais de contaminação. Segundo o gerente da Cetesb, todas as grandes fontes de contaminação já foram removidas, mas os estabelecimentos permanecem sob monitoramento do órgão até que não exista mais nenhum vestígio de agressão ao meio ambiente.

De acordo com a Cetesb, a origem das áreas contaminadas está relacionada tanto ao desconhecimento, em épocas passadas, de procedimentos seguros para o manejo de substâncias perigosas, quanto ao desrespeito hoje.

Também é causada por acidentes ou vazamentos durante o desenvolvimento dos processos produtivos, de transporte ou de armazenamento de matérias-primas e produtos.

Estabilização

Desde que o órgão começou a divulgar a lista das áreas contaminadas, em 2002, o gráfico que registra o número de pontos de contaminação foi ascendente. Em 2002, foram verificados 255 terrenos. Já o último levantamento apontou 1.664 pontos contaminados. No entanto, segundo Braga, nos dois últimos semestres está ocorrendo uma estabilização.

“De novembro de 2005 a maio de 2006, tem uma diferença de 68 áreas contaminadas no Estado. Dividida por 35 agências existentes no Estado dá uma média de duas áreas contaminadas por agências, em seis meses. O que aparece agora são áreas novas, que nós vamos dando conhecimento e não é tão significativa assim”, explica.

No caso dos postos de combustíveis, Braga explica que, ao se verificar a contaminação, a primeira providência a ser tomada é a troca dos tanques que apresentam vazamento.

“A contaminação dos postos de gasolina, embora quantitativamente seja maior, qualitativamente não é. Porque a contaminação dos postos acontece no solo, que tem uma remediação simples com a remoção da terra para um local autorizado pela Cetesb”, lembra o gerente da Cetesb.

Das 41 áreas contaminadas na região de Bauru, 19 são ocupadas por postos de combustíveis, seis por indústrias e quatro por bases de distribuição de combustíveis. “Os números da região apresentam o mesmo perfil de todo o Estado”, revela Braga.

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