Brasília - O governo sofreu mais uma derrota ontem no Congresso. Com a ajuda da base aliada, a Comissão de Orçamento aprovou o relatório setorial da Previdência que fixa o salário mínimo para o próximo ano em R$ 375,00.
O valor era previsto na proposta orçamentária encaminhada pelo governo ao Congresso, mas diante do crescimento pífio da economia, o governo recuou e passou a defender um mínimo de R$ 367,00. O relator geral do Orçamento, Valdir Raupp (PMDB-RO), disse que deveria se reunir ontem com o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) para tentar evitar o veto de um reajuste maior.
“O governo pode reduzir (o valor). Esta é uma prerrogativa do governo, mas o melhor é que haja entendimento. Entendo a preocupação do governo de que se o crescimento não foi o desejado e a inflação ficou muito baixa não é possível um reajuste maior do mínimo, mas vamos tentar um acordo”, disse.
A preocupação do governo é que a diferença dos valores propostos provocará impacto nas contas da Previdência de R$ 1,5 bilhão. “A cada um real que aumenta o mínimo, a despesa com a Previdência cresce em R$ 180 milhões”, disse. Apesar disso, Raupp não considerou uma derrota do governo a votação de ontem. “Não vejo que uma diferença de R$ 7,00, R$ 8,00 seja uma derrota do governo. Se o governo pudesse ele daria o aumento maior, mas a equipe econômica está preocupada porque quer garantir o crescimento do país no próximo ano”, afirmou.
Se prevalecer o mínimo definido pela Comissão de Orçamento, faltará apenas R$ 5,00 para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpra sua promessa de dobrar o valor do mínimo de quando assumiu até o final do seu primeiro mandato.