Brasília - A concentração das maiores taxas de fecundidade entre as mulheres mais jovens (até 24 anos) ainda será uma realidade em 2030, projeta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de filhos também continuará sendo maior quanto menor for a escolaridade e a renda. Em 2030, a taxa de fecundidade deverá ser de 1,59 filho por mulher - em 2005, era de 2,02. O índice cairá em todas as faixas etárias, mas o peso de mães mais jovens é crescente: em 2000, a razão entre as taxas do grupo que vai de 15 a 19 anos e de 30 a 34 era de 1,16. Em 24 anos, poderá ser de 2,40. Se os prognósticos se confirmarem, 95% dos bebês terão mães de até 34 anos em 2030.
A migração será reduzida em um terço no Brasil até 2050 - resultado da descentralização de investimentos. A diminuição da taxas de fecundidade deverá fazer com que os nascimentos sejam insuficientes para a reposição das gerações nas regiões Sul e Nordeste. A migração impacta o número de nascimentos porque as mulheres têm filhos nos Estados onde passam a morar.
O Brasil vai chegar a 2030 ainda sob o peso da desigualdade. Segundo projeções do IBGE divulgadas ontem, os próximos 25 anos serão insuficientes para a diminuição a patamares mínimos das disparidades regionais encontradas ontem nas taxas de mortalidade infantil e de expectativa de vida.
Produzida em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas, a publicação “Indicadores Sociodemográficos - Perspectivas para o Brasil, 1991-2030” faz uma síntese da dinâmica demográfica nacional. O documento apresenta estimativas de fecundidade, que, por sua vez, também demonstram a permanência das disparidades regionais. “A manutenção das taxas de fecundidade entre mulheres mais jovens contribui para que as desigualdades não sejam superadas”, diz o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.
Embora apontem para uma melhoria da taxa de mortalidade infantil (abaixo de 1 ano), os dados mostram que a evolução manterá a distância entre os Estados. O que revela que o Brasil vai ficar praticamente parado no tempo em termos de desigualdade.
Já na comparação internacional, é possível que a situação seja ainda pior, e o Brasil seja ultrapassado por mais países. Atualmente, Chile, Cuba e Porto Rico têm taxas em torno de dez óbitos ou menos em mil crianças nascidas vivas, desempenho que será atingido pelo Brasil só em 2030. E, mesmo assim, apenas no Sudeste, Sul e nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. O País está hoje na 98.ª posição no ranking das Nações Unidas, liderado pelo Japão e pela Islândia, com 3,2 óbitos por 1.000 crianças vivas.
Segundo o IBGE, em 2000, de cada 1.000 crianças nascidas vivas, 30,4 morriam antes do primeiro ano, sendo que o Rio Grande do Sul liderava o ranking nacional de menos mortes (16,7 óbitos por 1.000) e Alagoas ocupava a última posição (63,8 óbitos por 1.000) - um indicador quase quatro vezes pior. Trinta anos depois, o Brasil deve reduzir as mortes para 11,5 a cada 1.000 crianças.
Entretanto, além de os Estados com melhor e pior desempenho serem os mesmos, eles permanecerão muito distantes: Rio Grande do Sul, com 7,3 óbitos por 1.000, índice quase três vezes melhor do que as 19,4 mortes por 1.000 estimadas para Alagoas. No Rio Grande do Sul, práticas de prevenção explicam os bons índices.
Se existe um momento ideal para impulsionar o crescimento econômico do País e realizar a reforma da Previdência, ele já se configurou. Dados do IBGE apontam que o Brasil dispõe de um bônus demográfico, ou seja, tem elevado contingente de pessoas em idade ativa, que trabalham para garantir o sustento de crianças e idosos. Uma vez passada essa oportunidade, o que deve ocorrer entre 15 e 20 anos, a conta tende a se desequilibrar, pois o envelhecimento da população, associado à redução da taxa de fecundidade, aumentará o total de inativos.
Mortes entre jovens
O Sudeste apresenta atualmente um nível elevado de mortes de jovens por causas externas, acidentes de trânsito e homicídios, entre outros. Em São Paulo, para cada morte de mulher na faixa de 15 a 19 anos em 2030 são esperadas mortes de 6,10 homens na mesma faixa etária. “A redução das mortes por causas externas, afetando majoritariamente jovens do sexo masculino, deve ser tratada como um desafio prioritário para o país, pois já extrapolou os limites da área da segurança, apresentando-se como um grave problema social e de saúde pública”, afirma a pesquisa.
O gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica, Juarez de Castro Oliveira, destaca que o crescimento de casos ligados a violência resultará em maiores gastos do poder público. O número de jovens do sexo masculino mortos por causas externas afeta também a expectativa de vida da população.