Ramallah - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou ontem a convocação de eleições presidenciais e legislativas da Autoridade Palestina para sair da crise política, motivada por dias de violência interna nos territórios palestinos. As eleições devem ser realizadas dentro de três meses.
Abbas afirmou que, enquanto isso, todos os esforços devem ser feitos para criar um governo de união formado por tecnocratas, algo que poderia acabar com as sanções impostas por países ocidentais contra a administração do Hamas. O discurso foi transmitido ao vivo pela TV palestina.
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) rejeitou a convocação de eleições antecipadas. O ministro de Assuntos Exteriores e alto dirigente do Hamas, Mahmoud Zahar, rejeitou a medida, com a qual Abbas pretende fixar uma data para antecipar os pleitos presidencial e legislativo.
“Isso é golpe contra um governo democraticamente eleito. Rejeitamos a convocação do presidente Abbas de eleições antecipadas. Se ele se cansou da situação, deveria renunciar. Prometo ao povo palestino que com a ajuda de Alá não haverá pleito antecipado’’, afirmou Zahar.
Antevendo as críticas, Abbas declarou que tem autoridade para demitir o governo liderado pelo Hamas. “Esse é um direito constitucional. Posso fazer isso quando bem entender”, afirmou em discurso transmitido ao vivo pela TV palestina.
Abbas culpou o Hamas pela crise que levantou temores de uma guerra civil entre os palestinos, uma vez que há meses tenta por meio de conversas entre o Hamas e a facção Fatah, a qual pertence, formar um governo de união. Sem consenso político, a situação chegou a seu pior momento em uma década nos territórios palestinos.
“A crise está piorando... Sem um acordo político, a segurança continuará afetada”, declarou Abbas, que prometeu que, apesar da recente onda de violência, não haverá guerra civil.
Anteontem, as forças de Abbas feriram 32 simpatizantes do Hamas em Ramallah quando dispararam contra manifestantes. Confrontos entre as duas facções também ocorreram na Faixa de Gaza.
O Hamas está no poder desde as eleições de janeiro e já disse que considera qualquer pedido por eleições antecipadas como um golpe. Abbas venceu eleições separadas no começo de 2005.