Regional

‘Fiscal do Sarney' assume Câmara

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Pela segunda vez na história, a presidência do Legislativo de Jaú (47 quilômetros de Bauru) passa a ser comandada por uma mulher. Eleita por unanimidade pelos 11 vereadores, Rita de Cássia Bertoncello Chacon (PTB) começou a desenvolver atividades de interesse público em 1988, como integrante do grupo que ficou popularmente conhecido como “fiscais do Sarney”.

A atuação do grupo nas pesquisas de preços em supermercados teve destaque nacional numa época em que o Brasil passava por um período de racionalização da carne e inflação exorbitante.

Casada e com uma filha de 25 anos, Chacon é micro-empresária do ramo de sorvetes há 14 anos, além de professora aposentada do Estado. Nas últimas eleições, ela concorreu a uma vaga na Câmara do Deputados, em Brasília. Apesar da derrota, acredita que o deputado federal eleito ao mesmo cargo, José Paulo Toffano (PV), de Jaú, e o atual prefeito João Sanzovo Neto (PSDB), possam garantir o crescimento do município com apoio em nível Estadual e Federal.

Chacon já foi suplente por dois mandatos na Câmara, em 1988 e 1992. Este é o seu terceiro mandato. A chapa vencedora para assumir a Mesa da Câmara a partir do dia 1 de janeiro de 2007 é composta por Chacon, como presidente, Carlos Alberto Lampião Bigliazzi Magon (PV), como vice-presidente, Rafael Lunardelli Agostini (PT), 1.º secretário e Heloiza Campana Almeida Leite (PTB), como 2.ª secretária.

Ouvida pela reportagem do JC, Chacon afirma, na entrevista a seguir, que no biênio 2007-2008 pretende dar uma abertura ainda maior à população na Câmara.

Jornal da Cidade - Como e quando entrou para a política?

Rita de Cássia Bertoncello Chacon - Eu comecei com um grupo de mulheres fazendo pesquisa em supermercados. Éramos chamadas de “fiscais do Sarney”. Fazíamos pesquisa em todos os supermercados e divulgávamos os produtos mais caros e os mais baratos. Depois disso, é que eu fui convidada a entrar na política. Nós ficamos conhecidas nacionalmente, foi um movimento pioneiro no Brasil e começou aqui, em Jaú. Éramos em nove mulheres que fazíamos pesquisas, inicialmente, para nós mesmas. Mas depois todo mundo ficou sabendo e acabou ficando em nível nacional.

JC - Como avalia sua candidatura a deputada federal nas últimas eleições?

Chacon - Eu foi candidata para representar o grupo político. Mas eu nem tive tempo de fazer campanha porque eu fui impugnada, fui contestada. Eu tive praticamente nove dias de campanha apenas.

JC - Como será o relacionamento da Câmara dos Vereadores com o prefeito de Jaú?

Chacon - Nós vamos pensar sempre na cidade, esse é o nosso objetivo. Pensar no desenvolvimento do município. Se o projeto (do Executivo) for bom para a cidade vai ter o apoio. Se for onerar alguma coisa para a população, então nós vamos analisar.

JC - Como avalia o fato de ter sido eleita por unanimidade?

Chacon - Nós montamos nossa chapa, que era de oposição. Em princípio, tinha outra chapa, mas que resolveu sair e assim todos votaram em mim. Eu já presidi a Câmara várias vezes (como suplente,) então eu acho que isso inspirou confiança e sensibilidade (por parte dos vereadores).

JC - O que pretende implementar no Legislativo nos próximos dois anos?

Chacon - Uma aproximação maior com o Executivo. Todos os projetos que vierem para a Câmara, nós pretendemos discutir antes de aprovar ou rejeitar. E também propor uma abertura maior voltada para a população.

Tudo vai ser discutido com o grupo político e o que for viável nós vamos fazer. Vamos colocar tudo na mesa para discussão porque nós temos uma lei de responsabilidade fiscal que temos de preservar. E o que der para ser economizado dentro do Legislativo nós vamos trabalhar neste sentido.

JC - O que espera do deputado Toffano? Tem bom relacionamento com ele?

Chacon - Nós temos um relacionamento grande com o Toffano e vamos estar praticamente fazendo uma “ponte” entre o Legislativo e o deputado. Conhecendo a história toda do deputado Toffano, nós temos certeza de que ele vai estar trabalhando não só por Jaú, mas por toda a região. Afinal, é a primeira vez em décadas que Jaú tem um deputado federal (o primeiro foi há 70 anos).

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