Iacanga - O ex-prefeito de Iacanga Durvalino Afonso Ribeiro, preso anteontem pela Polícia Federal (PF), na Operação Pinóquio, é acusado de receptação de madeira retirada ilegalmente de uma reserva florestal de propriedade do Estado de São Paulo.
Ribeiro está preso na Cadeia Pública de Santa Rosa de Viterbo. O delegado da Polícia Federal em Ribeirão Preto, Fernando Battaus, explicou que o ex-prefeito de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) comercializava a madeira extraída de forma irregular, o que configura crime de receptação dolosa previsto no artigo 180, parágrafo 1º, do Código Penal brasileiro.
Anteontem, policiais federais da Delegacia da Polícia Federal de Ribeirão Preto estiveram na serraria de Ribeiro, nas proximidades da zona urbana de Iacanga, para apreender provas. O delegado explica que foram levados madeira e documentos que vão auxiliar nas investigações. “A madeira não tem nota fiscal”, adianta Battaus. Na cidade, os policiais federais prenderam Ribeiro em sua residência.
Simultaneamente, foram cumpridos outros oito mandados de prisão e outros 13 mandados de apreensão. Além de Iacanga, a Operação Pinóquio foi deflagrada em outras cidades. Em Santa Rosa de Viterbo, foram presas duas pessoas e também em São Simão, cidades da região de Ribeirão Preto.
O JC tentou ontem, novamente, entrar em contato com familiares de Ribeiro que, de novo, preferiram não comentar a prisão do ex-prefeito de Iacanga.
Crime antigo
A Operação Pinóquio foi deflagrada anteontem e investiga um crime que vem sendo cometido há anos. Battaus explica que, em 1950, o governo estadual criou a Estação Experimental de São Simão para reflorestamento e pesquisa.
Há dez anos, os sem-terra invadiram a reserva florestal. O delegado federal explica que um homem conhecido como Gaúcho passou a extrair madeira e a vendê-la para madeireiras, como a de propriedade de Ribeiro. Durante esse tempo, já foram devastados metade de uma área de 2.700 hectares. Por ano, calcula-se que a quadrilha causou prejuízo de R$ 1 milhão com o corte ilegal da madeira de área pública.
Gaúcho é proprietário de um imóvel de alto padrão, construído com recursos da comercialização de madeira, e circulava com veículo importado, também adquirido com dinheiro da venda irregular de madeira. Entre os crimes cometidos, a PF já enquadrou o de desmatamento, exploração econômica e degradação de floresta.
Ontem, Battaus se reuniu com representante do Ministério Público Federal em São Paulo, para prosseguir com as investigações, que podem ter desdobramentos.