Internacional

Insurgência cresce e Bush aumenta tropas no Iraque

Por Vinícius Queiroz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Mesmo em recesso parlamentar, a maioria democrata do Congresso apoiou ontem a proposta de George W. Bush de aumentar permanentemente os efetivos das Forças Armadas dos EUA. Na última entrevista coletiva de 2006, o presidente confirmou a intenção de promover o aumento, revelada ao jornal “The Washington Post” no dia anterior, e mudou a retórica sobre a situação no Iraque.

Bush reconheceu o “sucesso da insurgência islâmica” no país árabe neste ano. Antes, ele afirmava que os EUA estavam vencendo a guerra contra os opositores da ocupação americana do Iraque. “Eles (os insurgentes) consideram ser uma questão de tempo até que ganhem (a guerra). Os inimigos da liberdade levaram a cabo uma estratégia deliberada para fomentar a violência sectária entre sunitas e xiitas, e, no decorrer deste ano, tiveram êxito”, avaliou.

A proposta de Bush de aumentar os efetivos das Forças Armadas dos Estados Unidos, que vêm sendo reduzidos nos últimos 50 anos, surgiu em conseqüência da discussão sobre o envio de mais entre 15 mil e 30 mil soldados para o Iraque, onde já há cerca de 150 mil tropas americanas.

Especialistas acreditam que não haveria tropas disponíveis para isso. “Estou satisfeita que o presidente tenha mudado sua posição e finalmente atenda ao pedido do Partido Democrata de aumentar o tamanho dos militares. Mas Bush não deu nenhuma indicação de que queira fazer as mudanças necessárias para reverter a situação desastrosa no Iraque”, disse a líder da bancada democrata na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, que presidirá o Congresso a partir de janeiro.

O senador democrata Jack Reed disse “aplaudir” a iniciativa, que reivindicou para si. “Finalmente Bush reconheceu a necessidade de aumentar as Forças Armadas, pedido que tenho feito há anos”, afirmou. “Agora, o presidente precisa levar o projeto adiante e colocar dinheiro no Orçamento para pagar esses soldados.”

Nesta semana, Colin Powell, ex-chefe do Estado Maior dos EUA e secretário de Estado no primeiro mandato de Bush, disse que as Forças Armadas estão “quebradas” pela sobrecarga dos conflitos no Afeganistão e Iraque.

Hoje, só o Exército tem 500 mil soldados. O custo para cada 10 mil a mais é calculado em US$ 1,2 bilhão. Serviço militar Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que um possível aumento das tropas não implicaria a volta do serviço militar obrigatório, revogado depois da derrota no Vietnã, no início dos anos 1970, mas disseram que a medida levaria anos e bilhões de dólares para ser concluída.

Gordon Adams, que foi assessor de Orçamento para Segurança Nacional no governo Bill Clinton (1993-2000), disse que é contra o aumento das Forças Armadas. “Mais tropas significam mais gastos com equipamentos, treinamento e soldos no longo prazo”, avalia.

“Um aumento do número de militares não é um paliativo para o Iraque. É a militarização permanente da nossa política de segurança nacional”, completou Adams, hoje conselheiro do Centro Internacional Woodrow Wilson. Na entrevista de ontem, apesar de ter reconhecido o avanço da insurgência iraquiana, Bush disse que os EUA não sairão da região. “Eles não podem nos expulsar do Oriente Médio. Não podem intimidar a América.” Ele disse que, apesar de perturbados com a violência no Iraque, os americanos apóiam sua visão de que uma retirada imediata não é a saída.

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