Regional

Cooperados invadem fábrica de Pirajuí

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí - O Pólo Industrial de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) foi ocupado pelos cooperados que decidiram, em assembléia, afastar a gerência e a diretoria da cooperativa. Eles alegam que está havendo má gerência, abandono das atividades e que os pagamentos de salários estão atrasados. Com a ocupação, eles pretendem retomar a produção o mais breve possível.

O Pólo Industrial vem sendo alvo de disputa judicial em que o antigo dono das empresas que formam o Pólo, José Papile, acusa a Cooperdata, de São Paulo, atual proprietária, de má administração e o não pagamento da compra feita em 2004. Paralelamente, o Pólo vem passando por uma crise, onde estariam ocorrendo irregularidades na relação com os trabalhadores cooperados.

Com as atividades da fábrica quase parando, segundo informou um dos interventores, os salários dos cooperados estariam atrasados. Dessa forma, os cooperados realizaram uma assembléia, no último dia 10, onde foram nomeados três interventores para representá-los. São eles: Antônio Gilberto Campo, Maria Regina Silva Gomes e Eric Erzio Marcelle.

Ficou decidido nesta reunião, onde 73 cooperados votaram, que tanto a gerência da fábrica quanto a presidente da Cooperdata em São Paulo, Maria Dulcelina Vaz da Costa, seriam afastados da administração do Pólo. Além disso, os cooperados passaram a ocupar a fábrica.

“Nós ocupamos a fábrica na madrugada de terça para quarta-feira. O que ocorre é que o gerente não tem o menor poder, ele não é cooperado. Ele não tem nada a ver com a empresa. Nós tentamos entrar em contato com a presidente, mas ela não nos atende”, explica Campo, um dos interventores.

Segundo ele, o objetivo dos cooperados é conseguir novos parceiros e retomar as atividades da fábrica para garantir o ganho dos funcionários. “Nós estamos limpando a fábrica, reorganizando, fazendo uma análise dos danos porque tem muita máquina danificada, quebrada. Nós não conseguimos entender como é que eles deixaram a fábrica nesta situação”, critica Campo.

O cooperado explica que tudo foi feito dentro da lei que rege os sistemas de cooperativas no País. “Tudo foi acompanhado por um advogado e registrado no Fórum, no Cartório. A convocação da assembléia foi feita em jornal, inclusive num jornal de São Paulo. Também foi divulgado na rádio local”, diz.

Segundo Campo, além da limpeza que já está sendo feita no local, a próxima etapa será conseguir parceiros. “Estamos procurando parceria das fábricas. Eu acredito que amanhã (hoje) ou depois, no máximo, já começaremos a produzir alguma coisa. Nós estamos fazendo uma terceirização, uma parceria para usar a nossa mão-de-obra”, revela.

Para tentar recuperar a empresa, Campo explica que convidou o ex-proprietário do Pólo, Papille, para atuar no setor comercial. “Ele tem um bom conhecimento nesta parte e pode nos arrumar trabalho. Estamos contando com isso”, diz.

O interventor lembra que muitos cooperados aguardam a retomada da produção para poder trabalhar.

“ Nós não podemos fazer parte de uma cooperativa na qual meia dúzia de pessoas tomam as decisões que elas querem e nós, que somos pequenos cooperados, as formiguinhas que carregam a fábrica nas costas, ficamos numa situação dessas: vários dias sem receber”, conclui.

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