Regional

Justiça confisca bens de traficantes

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

A Justiça Federal de Curitiba determinou o confisco de diversos bens de uma quadrilha de traficantes, presa em julho deste ano pela Polícia Federal (PF), que mantinha duas bases de refino de droga em fazendas no município de Pardinho e Gália. As informações foram divulgadas anteontem na Folha de São Paulo

Entre os bens seqüestrados, há um helicóptero Esquilo, um veículo BMW X5, 11 fazendas, quatro imóveis e dois prédios residenciais no litoral de Santa Catarina, que correspondem a uma pequena parcela - cerca de R$ 15 milhões - do patrimônio de R$ 200 milhões reunidos pelos traficantes, segundo estimativas da PF.

A decisão judicial é considerada inédita na história do Direito brasileiro em razão dos valores e da quantidade de bens confiscados de traficantes. Além disso, dois integrantes da organização criminosa também foram condenados à prisão pela Justiça. Luciano Geraldo Daniel, considerado o líder da quadrilha e um dos maiores traficantes do País, foi condenado a 28 anos e seis meses de prisão, enquanto Floriano Nolasco da Silva Júnior, piloto de helicóptero, pegou 19 anos e seis meses de prisão.

Ambos foram presos após a ação da chamada Operação Ícaro, deflagrada pela Polícia Federal, em julho deste ano, nos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná e que culminou com a prisão de oito pessoas e o desmonte de duas refinarias de cocaína, uma em Pardinho e outra em Gália, locais onde também foram encontrados cerca de 200 quilos de pasta da droga e dezenas de armas, granadas e munições.

Na época em que a operação da PF foi desencadeada, a refinaria de Pardinho já funcionava, há cerca de dois anos, na fazenda Diamante, mas a quadrilha pretendia mudá-la para outro lugar, antes de ser descoberta. Já a de Gália operava há apenas dez dias, na fazenda Santa Tereza.

As propriedades eram os destinos de helicópteros que pousavam em canaviais próximos à região e descarregavam a droga que era, em seguida, transportada por caminhonetes até o local de refino.

A Polícia Federal estima que as fazendas recebiam remessas mensais de, aproximadamente, 300 a 400 quilos de pasta base de cocaína e que, após processada, a produção chegava a uma tonelada por mês na região.

E, dos municípios sede das fazendas, a droga era redistribuída para ser comercializada no Brasil e no Exterior, gerando um lucro aproximado, segundo a Polícia Federal, de até US$ 5 milhões em cada viagem.

As investigações da Operação Ícaro vinham sendo feitas há meses pela Polícia Federal (PF), que acompanhava de perto os passos da quadrilha. O empresário Floriano Nolasco da Silva Júnior já estava sendo investigado há mais de duas décadas pela PF e respondia dois processos na Justiça por suspeita de tráfico internacional de drogas.

Já Luciano Daniel tinha mandado de prisão expedido pela Justiça e era um dos principais alvos da PF nas investigações sobre produtos químicos controlados, como a acetona, que é muito utilizada para o refino da cocaína. Conforme a PF, Daniel conseguia vantagens nas negociações para aquisição desses produtos ao adquiri-los direto dos produtores.

A reportagem do JC entrou em contato com o delegado Fernando Francischini, que comandou a Operação Ícaro, mas ele não comentou o assunto, alegando que o atendimento à imprensa estava centralizado na área de Comunicação Social da Polícia Federal de Curitiba (PR), setor em que, ontem à tarde, ninguém atendeu às diversas ligações feitas pela reportagem.

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