Tribuna do Leitor

Velho, aposentado e avô


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Numa aula de português no Objetivo, aos sábados, num curso preparatório para concursos públicos, um dos alunos quis saber o que era a velhice para mim. No momento, fiquei sem ação, pois não consegui perceber o porquê desse interesse. Prometi-lhe, no entanto, escrever um artigo que trouxesse algumas reflexões não só quanto à velhice, mas também quanto à aposentadoria e à alegria de ser avô. A primeira idéia que me ocorreu foi que demorei para sentir que tinha ficado velho (sem hipocrisia, velho mesmo e não, idoso). Os passos já não são tão firmes. Não comecei ainda, a “tropicar” nas idéias. Em todo caso, é evidente que a velhice chegou. Mas é uma delicada companheira. Atrapalha um pouco, limita a nossa independência, cria um leve sentimento de estarmos dando trabalho, incomodando aos mais íntimos. Somos mais lentos no andar, no correr, no arrumar-nos, no fazer a higiene pessoal. Enfim, essas pequenas amolações, que não chegam a tirar o gosto de viver.

Agradeço a Deus, por poder ainda, estudar, e dar algumas aulas como professor, ou melhor, como humilde repetidor de aldeia que sempre fui. Agradeço, embora sem mestrado ou doutorado, me sentir respeitado intelectualmente, e me dou ao luxo de continuar escrevendo alguns artigos para este conceituado jornal. Estou sempre aprendendo e reaprendendo coisas novas e velhas.

A verdade é que há uma beleza própria para cada idade. É importante saber disto e aprender a enfrentar o fato. Não há erro maior do que viver uma idade com o espírito e os costumes de outra, isto é, quem quer ser velho em moço ou fingir de moço em velho. É preciso e é importante e compensador viver bem a idade que se tem. Cada idade tem o seu lado sombrio como seu lado luminoso. A velhice não é necessariamente feia, como a juventude não é necessariamente bonita.

Como conseqüência da velhice, vem como prêmio ou castigo, a aposentadoria. O velho tem direito à aposentadoria, mas uma aposentadoria digna, que garanta viver sem precisar trabalhar. O velho tem direito àquele “ócio” de que falava Cícero num de seus discursos: “otium cum dignitate” (ócio com dignidade). Ele não se refere ao ócio, vadiagem, mas ao repouso com tempo para pensar, sonhar, divertir-se um pouco, fazer coisas inteligentes. Há um momento na vida em que não ser mais obrigado a “ralar” para poder sobreviver, é um dom do alto. Virgílio, poeta latino dizia em uma de suas Églogas: “Deus nobis haec otia fecit.” (“foi Deus que nos deu esse descanso”).

Apesar das dificuldades, Deus na sua justiça e bondade infinita, nos proporcionou, nesta etapa da vida, a alegria incomparável de ser avô de uma linda menina de nome Gabriela, que completou 10 anos de vida no último dia 19 de dezembro. Gabriela, você chegou de mansinho, quietinha. Não pediu nada, nada exigiu. Mas chegou conquistando o nosso coração. Quando a olho, quanta afeição sinto. Quanta esperança! Dez anos! Como o tempo passou, aliás, ele passa voando para todo o mundo. Ele é implacável!

Gabriela, você veio para alegrar a nossa vida. Você é muito bela, tem saúde, graças a Deus. Você possui o brilho das estrelas, o calor do sol, a magia da lua. Sou o avô mais feliz da criança mais linda e querida. Parabéns! Na felicidade dessa sincera homenagem, Senhor, meu Deus, eu te peço: guarda a minha Gabriela de todo o mal, livra-a de tantos perigos. Que ela cresça em espírito e sabedoria e que, em cada manhã, tudo seja renovado em sua vida. Que tudo aconteça, segundo o teu Plano de Amor. Que a minha neta, Gabriela, seja a alegria de nossa família em uma vida verdadeiramente cristã. Assim seja.

Gino Crês - professor

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