Vendo as trapalhadas do nosso combalido Congresso Nacional, me vem em mente a música de um programa infantil dos anos 80. Os nossos ilustres representantes no Legislativo, tenho a impressão, que uma vez empossados, são tomados pela síndrome do Balão Mágico e “vivem sempre no mundo da lua”!
Francamente, o que temos visto especialmente nestes últimos meses ultrapassa qualquer razoabilidade e culmina neste lamentável ato final do aumento salarial dos parlamentares. A capacidade de criar e alimentar escândalos do nosso Congresso é tamanha que ,caso fossem igualmente eficientes em criar e votar as leis para tornar o Brasil um país decente e competitivo, estaríamos com índices de desenvolvimento humano de dar inveja à Suécia!
É patético ver o presidente da Câmara do famoso “Partidão” invocar Deus e dizer que contava com Sua assistência na hora da decisão de se dar um aumento de 90,7%!! Por favor, seja coerente pelo menos nessa hora, e deixe Deus de fora dessa história!
Há poucos dias fomos brindados com mais uma pérola da Comissão de Ética (pasmem, mas existe tal comissão na Câmara!). Absolveram todos os envolvidos com o escândalo das sanguessugas. Para completar a ópera e fechar com chave-de-ouro, como os deputados tiveram que fazer um “esforço” para votar o Orçamento e perderam os vôos de volta para suas bases, pleitearam uma carona num avião da FAB. Óbvio, nada mais cômodo, quando o contribuinte que paga mais essa conta, está dormindo no chão do aeroporto e talvez não passará o Natal com a família. E os nossos ilustres representantes evitam o transtorno de esperar no saguão e dar de cara com o povo, o real, não o do Balão Mágico. Por falar em crise nos aeroportos, como muito bem disse a Miriam Leitão, o ministro da Defesa, Waldir Pires, é o verdadeiro ponto cego do nosso sistema aéreo: nunca viu nada e nunca sabe de nada. Aprendeu bem a lição do seu superior, o presidente Lula! Faça-me o favor, ministro, se não tem capacidade e não está satisfeito com o salário, como disse no Congresso, peça demissão!
O que percebo cada dia mais nas ruas é que paciência, até mesmo de brasileiro, tem limite. Como diria Chico Buarque, podemos “da arquibancada a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa”!
Que os nossos “podres poderes” (Cazuza) aproveitem a virada de ano para um exame de consciência e que 2007 seja um ano mais cidadão! E que esse 2006 que acabou em pizza não veja 2007, no Carnaval, quando será votado o aumento dos deputados e senadores, começar em samba!
O autor, Rubens Loureiro Rocha Neto, é economista