São Paulo - Companhias concorrentes da TAM colocaram aeronaves à disposição da aérea ontem, véspera de Natal, para tentar solucionar a atual seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos, iniciada na última terça-feira.
Em nota, a Varig informou que, desde quinta-feira, transportou mais de 2 mil passageiros da TAM em vôos extras - inclusive para destinos nos quais a empresa não opera atualmente como Goiânia, Uberlândia, Natal e João Pessoa - e acomodou outros em vôos regulares.
Segundo informações de funcionários do aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, ainda durante a madrugada de ontem, seis aviões da BRA decolaram com passageiros da TAM com destino ao Nordeste.
Ontem à tarde, a TAM fretou também um Boeing 737-700 com 144 lugares da Gol para levar passageiros do aeroporto de Guarulhos para o de Salvador e trazer outro grupo de Salvador para Guarulhos. Outras aeronaves da Gol deveriam ser fretadas pela TAM até o final do dia de ontem.
Filas
Os aeroportos de São Paulo e Rio apresentam longas filas nos balcões das companhias aéreas, principalmente da TAM, ontem. Para o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, a atual seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos -iniciada terça-feira- estão “sob controle”. Mais da metade dos vôos programados para anteontem sofreu atrasos de mais de uma hora.
Em São Paulo, o aeroporto de Congonhas, de acordo com dados preliminares do controle de tráfego aéreo, operou até as 3h anteontem e reabriu às 6h de ontem. Na madrugada, a TAM reacomodou em vôos que partiriam entre as 2h e as 6h30 de ontem os passageiros de vôos atrasados que deveriam ter decolado até as 20h de sábado.
No final da tarde de anteontem, o balcão de check-in da TAM em Congonhas permaneceu fechado por duas horas devido à superlotação da sala de embarque. Durante todo aquele dia, 699 dos 1.266 vôos agendados tiveram atrasos superiores a uma hora. O número representa 55,21% do total. Outros 36 vôos foram cancelados.
Os problemas são provocados por um “efeito dominó” que começou na noite de terça, de acordo com a Anac, devido ao fechamento de Congonhas por cerca de 50 minutos devido ao mau tempo; à parada de seis aeronaves da TAM para manutenção não-programada; e à queda da rede de dados da mesma companhia aérea no aeroporto Tom Jobim, no Rio.
Overbooking
Horas antes, sem citar nenhuma empresa aérea, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia culpado o overbooking - a venda de passagens acima da capacidade dos aviões - pela crise atual. No sábado, a TAM se adiantou e suspendeu a venda de passagens para vôos domésticos com decolagem marcada para hoje. Entre a última sexta e ontem, a venda permaneceu suspensa por determinação da Anac. Desde sexta, a Força Aérea Brasileira (FAB) mantém oito aviões à disposição das aéreas para transportar passageiros.
Crise
Desde outubro último, o setor aéreo enfrentou diversas seqüências de atrasos e cancelamentos de vôos. No começo, elas foram causadas pela operação-padrão dos controladores de tráfego aéreo, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança.
Recentemente, porém, houve atrasos provocados por uma pane e, agora, pelo fechamento de Congonhas. Para o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), a situação nos aeroportos do país só deve ser inteiramente normalizada no primeiro semestre de 2007.