Regional

Falta de energia castiga Arealva

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Arealva - O problema de falta de energia elétrica em Arealva (41 quilômetros de Bauru) continua. Na semana passada, em um único dia, a cidade ficou várias horas com o fornecimento interrompido. O prefeito Paulo Padanosque Pereira (PSDB) teme que as indústrias deixem de investir no município e quer que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) instale uma linha de transmissão direta para solucionar o problema.

Uma das grandes preocupações de Pereira é com as granjas e abatedouros que estão no município. Segundo ele, são cerca de 50 a 60 granjas que criam de 35 a 45 mil frangos e necessitam da energia, pois não têm geradores próprios.

“Eu tenho abatedouros de aves aqui. Tenho pequenas indústrias, mercados e granjas, onde é imprescindível a energia. Eles não têm gerador porque encarece e inviabiliza a produção. A CPFL tem que ter a responsabilidade com os contribuintes de produzir a energia de forma ininterrupta”, critica.

A falta de energia em Arealva, segundo o prefeito, é constante. A última ocorreu na semana passada em dois períodos distintos, de manhã e à noite. No período noturno, a cidade teria ficado cerca de três horas às escuras. Pereira atribui o problema à falta de investimentos da CPFL, em decorrência da privatização.

“Pegaram o que era do povo e privatizaram. Eles pagaram com o dinheiro que era do BNDS e ficaram só com o ativo e não com o passivo. O acordo das hidrelétricas era de investir no setor. Mas do tempo que foi privatizado, nós sabemos que não houve investimento nenhum no setor. Eles dizem que houve expansão de rede, mas isso não é investimento no setor”, alega o prefeito.

Apesar da responsabilidade pelo fornecimento de energia ser da CPFL, Pereira explica que a população e os empresários o procuram para que ele tome providências.

“O povo não entende e vem cobrar do prefeito. Não foi o prefeito quem vendeu ou privatizou. Eu não tenho o que fazer a não ser reclamar. Invariavelmente isso acontece. Chegou a prejudicar abatedouros e mercados que têm câmara frigorífica”, conta.

Em abril de 2005, uma queda de energia chegou a matar 6,8 mil frangos em Arealva. O prejuízo foi calculado, na época, em mais de R$ 20 mil.

Atualmente, não existe uma linha de transmissão de energia direta para a cidade, o que contribui para que os problema ocorram. “Nós pedimos uma linha de transmissão direta porque hoje ela vem quicando, vem passando em postes, no meio do mato”, lamenta o prefeito, que acredita que uma linha direta resolveria o problema. “Em Itapuí e em outras cidades por aí existe linha de transmissão direta”, lembra.

A linha de transmissão de Itapuí foi instalada em 2005, depois que a avícola Itabom desembolsou, na época, um grande valor de seus recursos próprios para que a CPFL implantasse um “linhão” (cabo de energia) direto. Até então, os habitantes e indústrias de Itapuí dependiam da energia que era distribuída através de uma linha que vinha de Jaú. Isso vinha impedindo a expansão das indústrias devido à baixa oferta de energia na cidade.

Arealva passa agora pelo mesmo problema. O chefe do Executivo explica que toda vez que entra em contato com a CPFL a companhia comunica o motivo que levou à queda de energia, mas novos problemas sempre voltam a acontecer.

“Um dia é o gerador, outro dia é porque o lago está seco, outro dia é a transmissora, outro dia é porque caiu o poste ou então um passarinho sentou na linha. A solução é a instalação de uma linha de transmissão direta porque dessa forma viabiliza investimentos”, enfatiza.

Pereira diz que está conversando com os empresários de abatedouros para que juntos, mais uma vez, reivindiquem a instalação da linha pela CPFL. Além das indústrias, granjas e abatedouros, cerca de 7,8 mil pessoas, habitantes de Arealva, dependem da energia fornecida pela companhia.

Ramal com problema

Procurada pela reportagem do JC, a assessoria de imprensa da CPFL, em Campinas, confirmou que, no último dia 20, ocorreram duas interrupções de energia. A empresa atribuiu o problema a um ramal particular.

“Nós identificamos o problema e pedimos para o proprietário da fazenda arrumar o defeito. Como não arrumou adequadamente, a linha caiu novamente. Foram duas vezes. Nós fizemos uma notificação e ele arrumou e voltou ao normal”, informou a assessoria.

Para a CPFL, Arealva tem recebido quantidade de energia adequada à sua dimensão. “Não há previsão de se instalar linha direta porque não há necessidade. O problema são as linhas particulares que necessitam de manutenção por parte dos proprietários”, informou a assessoria.

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