Bagdá - A corte de apelações do Iraque confirmou ontem a sentença que condenou o ex-ditador Saddam Hussein à morte pela forca. Saddam será enforcado por seus crimes contra a humanidade, segundo afirmou ontem o líder do Tribunal Penal Iraquiano.
O líder do tribunal, o juiz Aref Abdul Razzaq al Shahin, disse durante uma entrevista coletiva ontem em Bagdá que a sentença de morte contra Saddam deverá ser executada em cerca de 30 dias. “A corte de apelações aprovou a sentença de morte. Eles (o governo) têm o direito de escolher a data, em até 30 dias a partir de amanhã (hoje). Depois de 30 dias será obrigatório executar a sentença”, afirmou.
Saddam, 69 anos, e dois outros réus, incluindo seu meio-irmão, foram condenados à morte em 5 de novembro por crimes contra a humanidade, relacionados ao assassinato de 148 xiitas da cidade de Dujail depois do fracasso de um complô para matar o ex-ditador em 1982.
Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram ao governo iraquiano que não execute a sentença. Eles afirmam que o julgamento contra o ex-ditador foi carregado de erros.
O meio-irmão de Saddam, Barzan al Tikriti, e o ex-juiz Awad al Bander também foram condenados à morte por sua participação nos assassinatos, assim como na tortura e deportação de centenas de moradores de Dujail. A corte também rejeitou a apelação e manteve as sentenças dos dois ex-colaboradores de Saddam.
Saddam enfrenta atualmente seu segundo julgamento, ao lado de seis outros réus, pelo genocídio contra os curdos durante a campanha militar de Al Anfal, realizada no norte do Iraque no final dos anos 1980.
O líder da corte iraquiana disse que, mesmo se Saddam for executado antes do final deste segundo julgamento, as sessões prosseguiriam sem sua presença. As audiências estão paralisadas no momento, e o julgamento deverá recomeçar no dia 8 de janeiro.