Internacional

Carro-bomba mata dez em restaurante

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Um carro-bomba que explodiu ontem nas imediações de um movimentado restaurante do leste de Bagdá deixou pelo menos dez mortos e 11 feridos, segundo o último balanço da polícia local.

O carro com explosivos foi detonado, aparentemente, por controle remoto, pouco depois do meio-dia, em frente ao restaurante Nasif. Ao menos 11 pessoas ficaram feridas. A explosão causou danos materiais no restaurante e em quatro veículos civis.

Um veículo militar americano também ficou danificado ontem devido à explosão de uma bomba na passagem de uma patrulha pela estrada Al Canal, no leste da Capital, informaram fontes do Ministério do Interior iraquiano. O ministério não informou se houve feridos entre os soldados americanos, enquanto o comando militar dos EUA no Iraque não comentou o incidente.

Soldados no Kuwait

O Pentágono declarou ontem que enviará cerca de 3.500 soldados para o Kuwait para servirem como forças de apoio para uso no Iraque ou em qualquer lugar na região.

O governo Bush está avaliando um aumento de forças à medida que considera estratégias alternativas no Iraque. A ordem para organização das tropas foi enviada a uma brigada na Carolina do Norte. Esta unidade servirá como uma “força adiantada” para o comandante do Comando Central dos Estados Unidos, o grupo responsável pelas guerras no Iraque e Afeganistão.

O Comando Central também é responsável pela região da África que inclui Somália e Etiópia, onde uma semana de lutas culminou em uma guerra aberta. As tropas de Fort Bragg substituirão a força que foi enviada para o Iraque esta ano. Há 134 mil soldados dos EUA agora no Iraque.

Execução de Saddam

Um dia após a confirmação da sentença de morte de Saddam Hussein, a Federação Internacional de Ligas de Direitos Humanos (FIDH) pediu ontem aos dirigentes iraquianos que não ratifiquem a decisão da Justiça de executar o ex-ditador, condenado por crimes contra a humanidade. A FIDH também solicitou uma moratória sobre a pena de morte no Iraque.

Em um comunicado, a federação expressou “mais uma vez mais sua oposição à pena de morte, em qualquer circunstância e em qualquer lugar”. A organização, com sede em Paris, pede “ao chefe de Estado iraquiano que aplique uma moratória sobre a condenação à morte pronunciada contra Saddam Hussein e confirmada pela Corte de Apelações”.

Segundo a lei iraquiana, nenhuma autoridade, nem mesmo o chefe de Estado, pode usar o direito de indultar ou comutar as penas pronunciadas.

Mártir

Em mensagem divulgada ontem pela Internet, o Baath, partido do ex-ditador Saddam Hussein (1979-2003), ameaçou retaliar os EUA caso a sentença de morte por enforcamento do ex-ditador seja executada. Segundo a mensagem, “o Baath e a resistência estão determinados em retaliar, com todos os meio e em todos os lugares, para ferir a América e os interesses dos EUA, se eles cometerem este crime”.

O partido sofreu uma dispersão após a queda de Saddam, em 2003. Autoridades acreditam que o site em que a mensagem foi divulgada tenha como base o Iêmen, país que hospeda muitos exilados do Baath.

Em carta de despedida liberada ontem por seu advogado, o ex-ditador afirma que sua execução será um sacrifício pelo Iraque e conclama os iraquianos a se unir para lutar contra as forças norte-americanas. “Aqui, eu ofereço minha alma a Deus como sacrifício. Se Deus desejar, Ele a mandará para o céu com os mártires, ou Ele adiará isso.”

A carta foi divulgada um dia após Saddam ter seu último recurso negado pela mais alta instância judicial do país, que confirmou que a execução deverá ocorrer em 30 dias. Saddam foi condenado à pena capital pela morte de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982.

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