São Paulo - O PSDB se manifestou ontem contra as conclusões do inquérito da Polícia Federal sobre o caso dossiê. Em nota, os tucanos chegam a elogiar o trabalho da instituição, mas dizem que, “após três meses de investigação”, a PF apenas “concluiu pelo indiciamento de personagens laterais ao episódio”.
Para os tucanos, a investigação foi “parcial” e o “episódio deixará uma mácula” sobre o órgão. O inquérito, diz a nota, não respondeu questões “fundamentais”: “A quem interessaria o dossiê? A quem serviam os criminosos pegos em flagrante? Que nível de autonomia teriam os tais aloprados para planejar tão arriscada trama?” O texto afirma que a investigação pouco revelou além do que era conhecido pelo flagrante feito pela própria PF no hotel Ibis de São Paulo e dos “contatos imediatos dos criminosos”.
Segundo o PSDB, a investigação priorizou o PT paulista, “ignorando solenemente as evidentes relações dos portadores do dinheiro com figuras proeminentes do PT, da sua Direção Nacional, da campanha presidencial do candidato Lula e do próprio Palácio do Planalto”.
A origem do dinheiro, o R$ 1,75 milhão encontrado pela polícia com Valdebran Padilha - enviado pelos Vedoin, que comandavam a máfia dos sanguessugas - e o advogado Gedimar Passos - emissário da campanha de Lula -, ponto bastante questionado durante a campanha pelo candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, também foi citada.
“É difícil crer que diante dos instrumentos de rastreamento de linhas telefônicas e das instituições responsáveis pela fiscalização de movimentações financeiras à disposição (...), não se tenha conseguido ir além de uma casa de câmbio, inexplicavelmente ali encerrando a busca pelo caminho do dinheiro. Nem mesmo a quem pertence e qual a origem da fortuna foi dado conhecer aos brasileiros”.
O senador Aloizio Mercadante, o tesoureiro de sua campanha, José Giácomo Baccarin, Gedimar, Valdebran e Hamilton Lacerda, então coordenador de campanha de Mercadante, foram indiciados. Jorge Lorenzetti, Osvaldo Bargas e Expedito Veloso, que trabalharam na campanha de Lula, não tiveram indiciamento pedido. Anteontem, o PT também questionou o inquérito. Para os petistas, o relatório é “inconsistente e especulativo”.