Economia & Negócios

Preço do álcool pode subir e há risco de falta do produto

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O período de entressafra da cana-de-açúcar - que prossegue até abril -, a crise aérea e as festividades de final de ano compuseram uma “fórmula explosiva” que está ameaçando a tranqüilidade de quem possui carro a álcool. Segundo empresários do ramo, essa combinação pode fazer com que o preço do produto salte da atual maioria de R$ 1,39 para R$ 1,49 (alta de 7%), além de existir o risco de faltar álcool hidratado para abastecer o mercado.

De acordo com Edivaldo Tuschi, dono de postos em Bauru que trabalha com cinco distribuidoras de combustíveis, as usinas interromperam o fornecimento do produto entre sábado e terça-feira após o Natal, e devem fazer isso novamente neste feriado de Ano Novo.

“As usinas vão parar de fornecer (álcool às distribuidoras) nesta sexta-feira, após o almoço, e só voltarão a trabalhar terça-feira depois do meio-dia. Isso ‘quebra’ toda a logística que é fundamental no nosso negócio. Ficar quatro dias sem fornecer álcool é um absurdo, desorganiza totalmente o nosso trabalho, a programação para manter os estoques. Isso, somado a outros fatores, gera um grande risco de desabastecimento (dos postos)”, destaca Tuschi.

Segundo ele, desde a semana passada as distribuidoras de combustíveis vêm aumentando o preço de custo do álcool hidratado diariamente. Até ontem, os valores variavam de R$ 1,18 a até R$ 1,22.

“Hoje (ontem), com muito custo e negociação, eu consegui comprar álcool para não faltar nos meus postos. Mas quem trabalha só com uma distribuidora, por exemplo, está correndo um risco enorme de ficar sem o produto nos próximos dias. Vai chegar um momento em que nós (donos de postos) não vamos mais conseguir negociar e nem arcar com os aumentos (sem repassar). Infelizmente, os usineiros estão fazendo o que querem”, desabafa o empresário.

Nota eletrônica

Tuschi acrescenta a esta fórmula mais um componente: está previsto para entrar em vigor na próxima terça-feira o sistema de nota fiscal eletrônica, criada para coibir eventuais tentativas de sonegação dos impostos recolhidos na fonte pelo setor de combustíveis, como PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O diretor comercial de uma distribuidora de Bauru, Sérgio Ferreira, concorda com a estimativa de que o preço do álcool pode chegar a R$ 1,49 nos próximos dias. O risco de falta do produto também não é descartado por ele.

“Além de estarmos no período de entressafra e do fato de muita gente estar optando por viajar de carro em função do caos no sistema aéreo do País, é catastrófico para o nosso negócio as usinas ficaram oito dias paradas num período tão curto (entre o Natal e o Réveillon). Por enquanto eu tenho álcool suficiente para abastecer os postos que são nossos clientes, mas ninguém sabe o que pode acontecer na semana que vem”, observa.

De acordo com os empresários, pelo menos por ora não há risco de aumento de preço ou baixa de estoque da gasolina, pois a produção de álcool anidro (que é misturado na proporção de 23% à gasolina) é suficiente para o abastecimento.

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