São Paulo - O último campeão, Marilson Gomes dos Santos, não vai correr. Seu principal rival já é freguês. Mesmo assim, Franck Caldeira, favorito ao título, acredita que a São Silvestre terá disputa acirrada na tarde de hoje. “A corrida tem brilho próprio. Os atletas, aliás, são apenas um complemento’’, afirma o favorito da prova que terá largada hoje, às 17h, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Tradicionais favoritos, os quenianos não enviaram suas principais estrelas em 2006. Mathew Cheboi foi quem obteve resultados mais expressivos - conquistou três provas em dois meses no Brasil. Nas quatro corridas que disputou com Caldeira, terminou à frente em apenas uma.
“Ele venceu, então foi o melhor. Mas a prova estava quase ganha quando tive uma hipoglicemia (baixa dose de glicose no sangue)”, afirma Caldeira. Em 2005, o brasileiro passou por apuro também na São Silvestre. Era um dos líderes quando tropeçou em um queniano que parara para amarrar o tênis. Caldeira caiu, ralou o joelho, voltou. Mas desistiu.
“Foi inaceitável, uma imaturidade dele. Mas tirei a lição de não correr mais tão perto dos adversários”, diz o brasileiro. Em 2005, os quenianos levaram uma legião à Paulista e venceram. Agora, apesar da delegação minguada, Cheboi crê em surpresa. “Conheço bem o Franck, perdi várias provas para ele. Espero mudar na São Silvestre. Vou pro pau.”
Feminino
Marizete de Paula Rezende foi a última brasileira a subir no topo do pódio da mais tradicional corrida do país. E deve ser hoje a única campeã a tentar defender o título. Já se passaram quatro anos desde aquela vitória. Jejum que tem, como em nenhuma edição anterior, grandes chances de ser quebrado hoje.
A largada da prova feminina acontece às 15h15. Com a ausência de estrelas internacionais, principalmente vindas do Quênia, as brasileiras despontam como favoritas ao ouro. Na lista há nomes como Márcia Narloch, duas vezes terceira colocada na prova.
“Foram dois anos (2001 e 2003) em que a prova esteve bastante forte. Tentei de tudo e não veio o título, mas acho que agora, de repente, chegou a hora”, afirma. Lucélia Peres esteve bem mais perto do feito. A atual tricampeã da Volta da Pampulha, tradicional prova de Belo Horizonte (MG), ficou atrás apenas da queniana Lydia Cheromei. “Vim para São Paulo bastante confiante depois de uma temporada muito boa. Melhorei todas as minhas marcas”, diz Lucélia.
O vice-campeonato da brasileira ocorreu no mesmo ano da última vitória de uma atleta do Quênia. No ano passado, foi a iugoslava Olivera Jevtic quem ficou com a primeira colocação. Nesta edição, o país africano tem poucas chances de voltar ao topo do pódio.
Pamela Bundotich, vice-campeã da Meia Maratona de Medellín (COL), é principal nome da equipe. Jane Kibii, que faz sua estréia, conhece pouco as adversárias e o percurso da corrida. “Só espero fazer meu melhor tempo. É a primeira vez que eu disputo uma corrida de 15 km”, diz a corredora.
Atletas oriundas de outros países também não devem oferecer grandes riscos às brasileiras. Algumas se destacam mais pelo currículo curioso do que pelas medalhas acumuladas. A israelense Svetlana Bahmend, 28, por exemplo, é a única representante de seu país na elite.