São Paulo - Uma descarga elétrica que atingiu a rede de telefonia de São Lourenço da Serra (Grande SP) resultou na morte da dona de casa Maria Rosa de Lima Correia, 61 anos. O acidente incomum, ocorrido na semana passada, assustou o município de 16 mil habitantes, a 57 quilômetros da Capital. Ao atender o aparelho que havia tocado em sua casa - o que também aconteceu na maior parte dos domicílios da cidade -, a vítima, que morava às margens da Régis Bittencourt, recebeu uma violenta descarga elétrica. Em seguida, teve uma parada cardiorrespiratória.
A autópsia e a certidão de óbito, feitas no dia 4 de janeiro, um dia após a morte, apontam que Maria Rosa foi vítima de “eletroplessão” - morte causada por descarga de alta tensão. No mesmo momento em que a dona de casa levou o choque e morreu, dezenas de moradores de São Lourenço da Serra que atenderam seus aparelhos de telefones fixos também foram vítimas de uma descarga elétrica.
Outra senhora de 65 anos, Querida Rodrigues, vizinha da mulher que morreu, teve queimaduras nas mãos e nos dedos após seu aparelho telefônico explodir parcialmente. “Todos os telefones da rua dispararam ao mesmo tempo. No que eu atendi, tomei um choque e quase caí no chão com o impacto”, contou Querida. O caso, ocorrido na tarde do dia 3, às 17h30, está sob investigação da polícia.
Segundo o prefeito João Koga (PFL), a descarga de cerca de 12 mil volts foi causada após um cabo de alta tensão da Eletropaulo cair sobre uma fiação da Telefônica, em um trecho próximo ao quilômetro 311 da Régis. Os aparelhos de telefone da cidade começaram a voltar a funcionar somente ontem pela manhã, após quatro dias sem sinal.
No comércio, as máquinas para passar cartões de crédito e débito permaneciam fora do ar. “Nosso departamento jurídico está à disposição das pessoas que se sentem lesadas pelo acidente, que tomaram choques fortes. Infelizmente, há anos estamos reclamando da falta de manutenção da Eletropaulo na cidade. Deu no que deu”, afirmou ontem o prefeito.
As empresas mantêm equipes trabalhando na cidade e informaram que as causas do acidente estão sob investigação. A família da vítima, porém, diz que vai acionar a Justiça. O filho que ajudou a socorrer a dona de casa, o comerciante Valmir Jesus de Lima Correia, 37 anos, diz que a mãe, moradora em uma edícula ao lado de sua casa, estava com chinelos no momento do choque. “O telefone ficou inteirinho preto, com cheiro de queimado. E o braço da minha mãe estava completamente roxo. Ela caiu na hora. Quando a ambulância chegou, já havia morrido.”
Outros moradores relatam ter perdido aparelhos telefônicos durante a descarga. “O computador do posto de saúde queimou na hora. O ‘modem’ ficou preto, com um cheiro de queimado”, contou João de Oliveira, 52 anos. “Levei um choque como nunca antes”, definiu o dono de lanchonete Lucas D’Ambrósio de Lima, 45 anos. “Pensei que era alguma pegadinha dos garçons.”
Lado da empresa
Em entrevista ao “SPTV”, da Rede Globo, o gerente de segurança da Eletropaulo, Carlos Prestes, afirmou que é preciso fazer uma análise técnica para avaliar o que ocasionou o acidente. “Pode ter ocorrido uma falha na rede da Eletropaulo ou na rede de outras empresas que ocupam o poste, mas não é nada conclusivo.” Prestes afirmou que a possibilidade de um acidente como esse ocorrer é mínima.
“A rede da Eletropaulo e a da Telefônica têm proteções. Pode ter ocorrido algum problema, ou numa rede ou na outra, mas só vamos saber após a investigação”. A Telefônica divulgou nota dizendo que “iniciou averiguação para verificar os cabos e que contribuirá para que todos os detalhes sejam esclarecidos”.