Regional

Botucatu pressiona nova direção do Departamento Regional de Saúde

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - O diretor-técnico do Departamento Regional de Saúde (DRS-6) em Bauru, Carlos Alberto Macharelli, assumiu o cargo ontem sob forte pressão de setores políticos de Botucatu, que não digeriram a extinção da Diretoria Regional de Saúde (DIR-11) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Um dia antes de assumir o cargo, Macharelli já experimentou as agruras do cargo, que ainda nem havia assumido. Ele teve uma reunião pública com os vereadores e o prefeito Antonio Mário de Paula Ferreira Ielo (PT), onde foi pressionado.

“Apesar de ter tomado bastante pancada, as pessoas tiveram chance de falar. Só faltava um vereador e um prefeito perder uma Direção de Saúde do jeito que perderam e ficarem quietos. Acho que é uma reivindicação justa”, salienta Macharelli.

Pela nova configuração, ele está com a espinhosa incumbência de administrar 68 municípios, missão delegada pela Secretaria de Estado da Saúde. O vereador Lelo Pagani (PT) diz que está sendo articulado um movimento com funcionários da extinta Direção Regional, setor médico e políticos para protestar contra o novo modelo de gestão da saúde no Estado. Os vereadores botucatuenses não se convenceram com a argumentação de Macharelli e menos ainda aceitam o fato da extinção da Direção Regional de Botucatu.

Sendo professor do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Macharelli optou pela estratégia de discutir com os políticos os aspectos técnicos de sua função, neutralizando a enxurrada de críticas. “Se não a gente vai ficar sempre discutindo as questões políticas da saúde e a questão técnica vai ficar para o segundo plano. As pessoas lá (Botucatu) deixam de discutir a fila e ficam discutindo o que a DIR deveria ser ou não”, justifica sua estratégia para lidar com opositores ao novo sistema.

O novo diretor-técnico garante que as filas no atendimento serão resolvidas. Porém, descarta que a solução ocorra no curto prazo. “O que eu garanto é que, a médio prazo, a gente consegue resolver”, explica. Para Macharelli, é preciso buscar recursos para implementar atendimentos médicos específicos e mutirões. Ele defende que ao juntar equipamentos de saúde – como os de Bauru e Botucatu – a tendência é a melhora na qualidade do atendimento. “Podemos até discutir se o prefeito vai gastar mais dinheiro para levar o paciente. Só que o Estado tem que oferecer o serviço e o prefeito tem que arranjar um jeito de levar o paciente até lá”, argumenta.

O vereador Lelo Pagani discorda do que ouviu de Macharelli na reunião da última segunda-feira.

“Acho que essa atitude (extinguir a DIR-11) foi uma atitude política e das mais baixas”, ataca. Ele diz que aprovaria a proposta de extinção da Direção Regional se as filas fossem realmente diminuir. “O governo do Estado não está levando a saúde a sério. Cortar custos na saúde não é o melhor caminho”, finaliza.

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