São Paulo - O governo de Minas decidiu interditar definitivamente a Mineradora Rio Pomba Cataguases por conta do reincidente vazamento de lama registrado na manhã de ontem. O vazamento ocorreu na barragem de Miraí (MG) e atingiu o rio Fubá, afluente do rio Muriaé, a exemplo do que ocorrera em março de 2006. Diversos áreas da região ficaram alagadas, e há risco de a mancha de lama chegar ao Rio de Janeiro.
De acordo com uma análise preliminar do Sisema (Sistema Estadual de Meio Ambiente), a lama, resultado da lavagem de bauxita, é composta apenas por água e argila e não é tóxica. O sistema estima que tenham vazado dois milhões de metros cúbicos, o equivalente a dois bilhões de litros da substância. Técnicos do Rio também analisarão a lama. Diversos bairros de Miraí estão alagados.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a área inundada foi extensa porque, quando o vazamento de lama ocorreu, o rio Fubá estava acima de seu nível por causa das fortes chuvas. Na madrugada anterior, ele já havia transbordado em alguns pontos. Há desabrigados e órgãos da Defesa Civil dos dois Estados trabalham no socorro deles.
Quatro caminhões-pipa foram enviados às regiões alagadas para garantir o fornecimento de água aos moradores, de acordo com a Companhia de Saneamento de Minas (Copasa). O fornecimento de água em Laje do Muriaé permanece normal.
Rio
Um plano de emergência foi elaborado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) para tentar minimizar os novos problemas e garantir o abastecimento de água para as cidades de Laje do Muriaé, São José de Ubá, Italva, Cardoso Moreira e Itaperuna. De acordo com a companhia, a lama chegará ao Estado nas próximas 24 horas.
Histórico
Em março de 2006, o vazamento durou três dias. Naquela ocasião, os 400 milhões de litros de resíduos de tratamento de bauxita - água e argila - atingiram um córrego da região e chegaram ao Rio de Janeiro. Os moradores de Laje do Muriaé tiveram o abastecimento de água suspenso em caráter preventivo, devido à possibilidade de contaminações. Três anos antes, em 2003, uma barragem da Cataguases Indústria de Papel também rompeu e provocou o despejo de 1,2 bilhão de litros de resíduos tóxicos nos rios Pomba e Paraíba do Sul, atingindo o norte e o noroeste fluminenses.