Articulistas

Encruzilhadas em 2007


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A Escola de Frankfurt é o nome dado ao grupo de pensadores alemães do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, fundado na década de 1920. Sua produção ficou conhecida como teoria crítica. Os mais conhecidos teóricos desse instituto de pesquisa são Theodor W. Adorno (1906-1969) e Max Horkheimer (1895-1973). Ambos desenvolveram uma crítica à “razão instrumental”, uma racionalidade que dirige as vidas e as consciências dos indivíduos. É fácil comprovar na pós-modernidade, atual época em que vivemos, que as massas populares estão dominadas por uma indústria de cultura que obedece à lógica do capitalismo.

Indústria cultural é o termo difundido por Adorno e Horkheimer para designar a indústria da diversão vulgar, veiculada pela televisão, rádio, revistas, jornais, músicas, propagandas, etc. Através da indústria cultural se obteria a homogeneização dos comportamentos, ou seja, a massificação das pessoas. Desde as primeiras décadas do século XX, a indústria de lazer e divertimento investe em determinados produtos culturais que agradam às massas, de forma imediata, além de consolidar e ampliar valores e padrões de consumo para que sua produção em larga escala atinja o maior número de pessoas possível. Desse modo, em grande parte, a indústria cultural lucra com investimentos baratos e de entretenimento fácil, que não trazem para o público nenhuma contribuição à reflexão.

Nessa sociedade massificada, a arte só consegue sobreviver se conseguir cortar as suas ligações com as massas, refugiando-se nos valores ameaçados, diz o arquiteto Fábio Duarte. E um dos primeiros artistas a se rebelar contra a massificação do indivíduo na era tecnológica foi Marcel Duchamp (1887-1968). Pintor e escultor francês, ele foi um dos precursores da arte conceitual e introduziu de modo extraordinário a idéia de ready-made como objeto de arte. O ready-made é uma manifestação radical com a intenção de romper com o fazer artístico. O conceito de ready-made se traduz na arte de incorporar material de uso comum às suas esculturas. Elevá-las à categoria de obra de arte como o urinol de louça, a pá, a roda de bicicleta.

A Fonte, obra que fez repercutir o nome de Duchamp ao redor do mundo, trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado, comprado numa loja de construção, considerado pronto artisticamente e avaliado como obra de arte numa exposição em 1917. Ao colocar esse mictório invertido, Duchamp rompeu com “a aura do artista como criador de obras-primas, único capacitado a afirmar o que é e o que não é arte. Ao retirá-los do cotidiano e convertê-los em “obras de arte”, ele desmonta e desmitifica o ato criativo, fazendo com que artista reconheça que a obra existe independente da sua ação e das instituições que determinam o que é ou não arte”. De fato, Duchamp subverteu o significado de arte.

É inegável que vivemos numa sociedade massificada. Na contemporaneidade, a condição humana parece determinada entre o viver na alienação ou no confrontar com a realidade. O homem atual encontra-se mergulhado num universo caótico, catódico e sinestésico marcado pela rotina, alienação, embrutecimento, desprazer, ultra-individualismo e no qual a nossa identidade pessoal multifacetada é guiada pela indústria cultural.

No entendimento dessa realidade fragmentada e complexa que estamos imersos, há campos de conhecimento que nos auxiliam e contribuem para nossa formação humanística. A Teologia, Antropologia, Sociologia e a Filosofia são áreas de saber fundamentais que nos instruem e educam em nossa trágica existência. Essas disciplinas superiores nos orientam acerca das “saídas de emergência”.

E conhecer essas “saídas” é um desafio. Nossa “razão instrumental” fruto do movimento iluminista, do século XVIII, não é mais capaz de identificá-las.

Dessa forma, como aponta Adorno, só a razão emancipatória nos permite afastar da normalidade e superficialidade. Conduzirmos ou sermos conduzidos? Consciência crítica ou alienação? Coragem ou passividade? Criatividade ou artificialidade?

Estão postas as opções. Os riscos e as ameaças acerca das nossas escolhas somos nós que assumimos. Boa sorte nas encruzilhadas em 2007.

O autor, José Renato Ferraz da Silveira, é professor de Ciência Política no curso de Direito; Antropologia no curso de Design e Mercados Regionais, no curso de Administração, todos do Iesb-Preve

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