Política

Partidos lutam por poder nos sindicatos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

“Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”, já dizia Karl Marx em seu “Manifesto Comunista”, 150 anos atrás. Muito tempo passou desde então, mas a recomendação do filósofo alemão (pai do socialismo científico) nunca chegou a ser seguida pelos partidos ligados ao movimento operário.

Além de se caracterizar pela quase completa ausência de fraternidade, a relação entre as facções ditas de esquerda costuma ser marcada, muitas vezes, pela rivalidade escancarada.

As eleições para a nova diretoria do Sindicato dos Bancários - órgão que representa cerca de 3.000 trabalhadores de Bauru e região - colocou frente a frente simpatizantes do PSTU, que tentam manter o controle da entidade, e do PT, que almejam assumir o controle da instituição.

Um aspecto que torna o embate ainda mais acirrado é o fato de que, há vários anos, as eleições para o sindicato não contavam com dois grupos na disputa. “Costumava haver um entendimento para que fosse lançada uma chapa de consenso”, explica Marcos Lenharo, que integra a atual diretoria da entidade.

A estratégia vinha funcionando razoavelmente bem até a última gestão, até que quatro dirigentes descontentes resolveram lançar uma chapa própria para disputar o poder.

Com a aproximação do pleito, a rivalidade entre as chapas tem aumentado cada vez mais. O grupo que integra a situação acusa os adversários de agirem a mando do PT. A oposição, por sua vez, afirma que os integrantes da atual diretoria colocaram o sindicato a serviço do PSTU.

As duas facções só afinam o discurso na hora de se esquivar de possíveis ligações com partidos políticos. “Somos uma chapa independente e queremos nos manter assim. Esta é a única maneira que possuímos para enfrentar os patrões e resguardar os direitos dos trabalhadores”, garante Lenharo, que apesar de não ser filiado a qualquer partido político, confessa-se militante do PSTU.

Os membros da chapa rival têm uma posição parecida. “Nosso grupo tem pessoas de diversas orientações políticas, algumas delas, inclusive, simpatizantes do PT. Mesmo assim, não acho que seja possível dizer que a nossa chapa segue as orientações deste ou daquele partido”, explica-se Roberto Machini, um dos integrantes da oposição.

Algumas entidades representativas profissionais existentes na cidade evitam manter qualquer tipo de relação (ainda que informal) com partidos. O Sindicato dos Empregados no Comércio, por exemplo, um dos mais antigos da região, não é filiado sequer a centrais sindicais.

“Procuramos nos relacionar bem com todas as correntes políticas para tentar conquistar o máximo de benefícios para a categoria que representamos”, explica Edson Quintiliano, assessor de comunicação do sindicato.

A Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região é outra que tem na neutralidade política um ponto de honra. A questão é levada tão a sério que chega a constar no próprio estatuto da entidade. “Pessoalmente até tenho minhas preferências ideológicas, mas nossa instituição não tem preferência por partido A ou B”, afirma Mário da Paz Pereira, presidente da associação.

Mesmo militantes de longa data costumam se esquivar quando o assunto é abordado. Apesar de ser um dos membros mais antigos do PT em Bauru, Jesus Garcia jura de pés juntos que o sindicato ao qual pertence - dos Trabalhadores da Indústria Energética do Estado de São Paulo (Sinergia) - não tem ligação alguma com a facção partidária. “Sindicato é instrumento de luta, não correia de transmissão do partido”, acredita.

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Disputa acirrada

A eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Bancários em Bauru promete ser acirrada. Há tempos a disputa para o controle da entidade - que representa cerca de 3.000 trabalhadores de Bauru e região - não contava com dois grupos em disputa.

A principal divergências entre as duas facções está no fato da chapa de situação defender que a entidade se desligue da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - cujas relações históricas com o PT são notórias - passando a integrar a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), mais afinada ao PSTU no campo ideológico.

“Isso é o mesmo que isolar nossa categoria do restante do País. Nosso movimento ficará enfraquecido”, critica Roberto Machini, membro da chapa de oposição. Para o atual diretor do sindicato Marcos Lenharo a tese é falsa.

“Sempre fomos um sindicato independente e queremos nos manter assim. Só dessa forma poderemos enfrentar governos e patrões na luta pelos nossos direitos”, pensa. A eleições para escolha da nova diretoria ocorrem nos dias 12, 13 e 14 de fevereiro.

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