Os implantes de silicone têm seu lugar garantido na cabeça e no corpo das pessoas que buscam melhorar a aparência. Quanto maiores os seios, maior a auto-estima. As mulheres foram as pioneiras, mas não estão mais sozinhas nessa busca. Há homens aderindo à cirurgia para ficar com o peito “sarado” sem precisar perder horas na academia.
As filas nos consultórios de cirurgia plástica comprovam essa busca quase frenética por tamanhos maiores. Em 2004, a cirurgia de implante de prótese de silicone cresceu 8,15% no Brasil, em comparação ao ano anterior.
Foi-se o tempo em que para ser bonita a mulher precisava contar com a sorte na hora de nascer. Com os recursos que a medicina oferece atualmente, ter um rostinho bonito e um corpo bem delineado é um sonho perfeitamente realizável. Basta ter dinheiro. Em Bauru, um implante de silicone, por exemplo, custa de R$ 6 mil a R$ R$ 7 mil. As sessões de embelezamento nas clínicas de estética também não estão ao alcance de todos. Mas os preços têm caído. A popularização das cirurgias plásticas para fins puramente estéticos é uma prova disso.
“Sem dúvida nenhuma, a auto-estima melhora muito. Você se sente mais bonita, mais atraente. E isso te deixa de bem com a vida”, afirma uma fisioterapeuta de 24 anos que pediu para não ser identificada. Depois de alguns anos economizando, ela finalmente conseguiu reunir o valor suficiente para colocar um implante no ano passado. Segundo ela, o sacrifício valeu a pena. “Me sinto uma outra pessoa”, declara.
O cirurgião plástico Bashir Mussa Gazi conta que a mulher brasileira, em sua maioria, nunca deu muita importância ao seio. Até o início da década de 90, ele era colocado sempre em segundo plano. “Mesmo porque, no Brasil, as mulheres vão muito à praia ou piscina e os seios grandes são difíceis de acomodar dentro do biquíni”, aponta o cirurgião. Segundo ele, a prioridade da mulher brasileira sempre foi o bumbum.
A partir da década de 90, atrizes e outras pessoas ligadas à mídia começaram a “turbinar” os seios, algo que até então era uma prática mais comum nos Estados Unidos. Gazi lembra que os resultados dessas primeiras experiências se mostraram satisfatórios e isso acabou estimulando outras mulheres a fazer o mesmo.
No começo, relata o cirurgião, muitas pessoas se mostraram apreensivas com o implante porque havia uma desconfiança de que ele poderia provocar câncer. Por 14 anos, o FDA (órgão do governo americano que controla a venda de alimentos e remédios) proibiu as próteses de silicone por causa dessa desconfiança.
O uso dessa substância só foi liberado em novembro do ano passado porque as pesquisas científicas não conseguiram comprovar que o material aumenta o risco de câncer. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) – Regional São Paulo, Antonio Graziosi, o Brasil nunca aderiu a essa proibição.
Durante o tempo em que o silicone estava proibido, os cirurgiões americanos usavam soro fisiológico para aumentar os seios de suas pacientes. Segundo ele, o índice de rejeição do silicone gira em torno de 5%.
Na opinião de Graziosi, a segurança que o material proporciona e os resultados obtidos foram os dois principais motivos que levaram ao “boom” de cirurgias para implante de silicone. Atualmente, o prazo de validade da prótese é de 10 a 15 anos, segundo ele.
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Preço varia
Atualmente, a cirurgia de implante mamário é uma das mais procuradas na clínica do cirurgião plástico Bashir Mussa Gazi. Segundo ele, dentro do Estado de São Paulo o valor do implante de silicone no seio varia de R$ 2 mil a R$ 30 mil. Em Bauru, o custo varia de acordo com a clínica onde a cirurgia é feita. Bashir cobra de R$ 6 mil a R$ 7 mil. Segundo ele, o procedimento demora cerca de uma hora para ser concluído.
Mesmo em uma escala bem menor, homens também têm procurado as clínicas para “turbinar” o tórax e dar uma aparência de peito musculoso. Até então, essa prática em homens era mais para atender aos travestis que querem ganhar formas mais femininas. Talvez por isso, encontrar homens que admitam ter silicone é tão difícil. Mas eles existem, e não são poucos, segundo garantem os médicos.
Segundo eles, é o reflexo do culto cada vez mais acentuado ao corpo “saradão”, cheio de músculos, exaustivamente exibido nos anúncios publicitários e em programas de TV.
Segundo Antonio Graziosi, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o material utilizado é o mesmo para homens e mulheres: silicone. Mas o implante de peitoral masculino é diferente do feminino em forma e tamanho. O silicone peitoral tem formato retangular e é mais fino. O das meninas é arredondado e mais grosso.