Apodreceram mais 350 quilos de carne adquiridos pela Prefeitura Municipal de Bauru - desta vez da merenda escolar. A confirmação foi dada na última sexta-feira, cerca de oito meses após sair o relatório final da sindicância administrativa aberta para investigar as causas da perda de outros 1.390 quilos de carne. Também foram encontrados 1.500 quilos de molho de tomate em pó com validade vencida no início de dezembro de 2006 .
Impróprios para o consumo, os “atuais” 230 quilos de frango e 120 quilos de carne bovina permaneciam acondicionados na sexta-feira à tarde, num freezer do Departamento de Merenda Escolar, órgão da Secretaria Municipal de Educação.
Pouco tempo depois da reportagem constatar o perecimento, uma equipe da Vigilância Sanitária, acompanhada pelo próprio secretário municipal de Saúde, Mário Ramos (experiente neste tipo de inspeção), esteve no local para avaliar o material.
Quase simultaneamente, a titular da Secretaria Municipal de Educação, Ana Maria Daiben, reuniu-se com o prefeito Tuga Angerami (sem partido) para discutir o assunto e pediu a ele a abertura de sindicância. As informações, prestadas por ela mesma, só não vão além em respeito ao trabalho de apuração.
Férias escolares
Mas segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o estopim do problema seriam as férias escolares. Projetando-as, a Secretaria Municipal da Educação calculou a quantidade necessária para atender somente as entidades filantrópicas e unidades que mantêm atividades neste período.
Das 24 entidades que mantêm as portas abertas nessa época, cinco informaram que não teriam expediente na semana anterior ao Natal até a primeira quinzena de janeiro. No entanto, outras entidades também deixaram de retirar os produtos, informa a assessoria, o que teria provocado o perecimento da carne.
A administração municipal não informou, porém, as razões do alimento ter sido mantido apenas refrigerado ou congelado inadequadamente. O condicionamento ideal poderia evitar ou postergar um eventual apodrecimento. Neste caso, a carne poderia saciar cerca de 3.500 crianças. As de uma creche conveniada à prefeitura não serão prejudicadas, embora a entidade tenha recebido parte do material podre.
Os quilos de isca de patinho estragados seriam devolvidos e, mais tarde, repostos. “Quando começamos a tirar das caixas (para guardar no freezer) começou a juntar muita mosca-varejeira. Mesmo assim, estocamos tudo. Depois, quando fomos descongelar um pacote, percebemos um cheiro muito forte”, comenta uma funcionária da creche, cujo nome será preservado a pedido.
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Caso anterior
No início de maio do ano passado, o prefeito Tuga Angerami determinou a abertura de sindicância administrativa para apurar responsabilidades pela perda de 1.390 quilos de carne, que estavam armazenados na cozinha do Caic, na Vila Nova Esperança. Os prejuízos teriam relação com o início da greve dos servidores e defeito na câmara fria de armazenamento.
Na época, conforme o JC publicou, o perecimento da carne foi constatado por uma nutricionista da Secretaria Municipal da Saúde. A profissional sugeriu que o produto não fosse aproveitado na preparação das refeições. O prejuízo foi calculado em aproximadamente R$ 9 mil.
Em princípio foi constatado que 200 quilos de carne estavam comprometidos. A quantidade tinha sido descongelada para consumo no dia em que os funcionários da cozinha aderiram à paralisação.
Posteriormente, o restante da carne se tornou imprópria para consumo humano em razão de problemas técnicos verificados na câmara fria da cozinha. A falha no equipamento provocou o descongelamento do produto e só foi percebida quando os servidores do setor retomaram suas atividades. Também foram comprometidos cerca de 100 quilos de beterraba.