Tribuna do Leitor

Acolhido sim, criado não


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Quão longe vão os resultados de uma má criação? As influências externas são significantes, ou o laço familiar consegue resgatar a vida lícita de um jovem? Os métodos de educação em uma família nos dias de hoje divergem de uma forma exuberante, levando-se em consideração os vários tipos de culturas, com visões radicais, variando de um extremo a outro. Entende-se por esse extremo a dúvida; “Meu filho perderia algo com as drogas?” “O que é droga?” “Seu futuro estaria em risco?”. Os filhos, queixando-se de uma ausência patriarcal, se consideram no direito de se drogar, ao mesmo tempo em que, sentindo-se oprimidos e vigiados, culpando essa falta de liberdade, como motivo para tal ato.

Os pais, por sua vez, encurralados nesse desafio, acabam, na maioria das vezes, seguindo os métodos de criação que lhe foram concebidos, eis o erro fatal. Um pai não é idêntico ao filho, gêmeos não o são, por que haveriam de ser? Muitos se esquecem disso e aí se inicia a tentativa, normalmente frustrada, de que o filho se molde a um sistema do qual nem eles mesmos sabiam o significado quando foram criados. Logo, os diálogos acabam sendo erradicados, pois as opiniões próprias não estarão em questão, apenas os argumentos patriarcais.

Uma família sem diálogo é uma casa onde um grupo de pessoas se alimenta num horário pré-estabelecido, trocam idéias retóricas, que já não agüentam mais se perguntar ao espelho, e o principal:

Estabelecem regras das quais só quem as determina, concorda, isso valendo aos pais. Todos esses fatos convergem a uma só situação: O radicalismo infernizando a individualidade, ignorando as modificações impostas pela sociedade ao longo do tempo. Quando respeitada, a individualidade conserva-se intacta, quando rejeitados os argumentos, são fortalecidos as atitudes individuais desrespeitando-se a opinião de consenso.

Então como fazer com que nossos filhos se sintam livres para colocar suas opiniões, e não colocar sua individualidade em teste, na hora do jantar. Como fazer com que esse jantar fizesse a diferença entre o dialogo e o radicalismo, e conseqüentemente a liberdade de escolha entre se decidir pelo certo ou pelo errado. Quem é a droga? Que droga? O álcool? O cigarro? E o cigarro que fumo? E a cerveja que tomo tão deliciosamente como pai. Tão deliciosamente interpretada pelos nossos filhos como exemplo a ser seguido?

A coisa ruim, socialmente aceita, acaba por dificultar o entendimento de nossos filhos sobre o certo e o errado, pois somos assistidos cotidianamente por eles, enchendo-os de exemplos negativos. Cabe aos mesmos ter razão em seus questionamentos.

Em questionar regras que dizemos faça o que eu digo, mas não o que faço?

Onde estamos? Para onde estamos indo? Para onde estamos levando nossos filhos?

Deivis Manoel Gonçalves - RG 9.828.807

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