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‘Verme do coração’ atinge cães na praia

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

As regiões de praia escondem um perigo pouco conhecido por donos de cães que passam os períodos de férias junto com seus animais de estimação. A dirofilariose é uma doença causada por um verme que se desenvolve dentro do coração de caninos e felinos e pode levá-los à morte. Conhecida popularmente como “verme do coração”, a doença é transmitida pela picada de um mosquito e pode ser evitada.

Segundo a médica veterinária Valéria Medina Camprigher, as pessoas que têm animais de estimação e vão para praia com uma certa freqüência acabam sabendo que precisam proteger os bichinhos. “As pessoas que moram em São Paulo e têm casa no litoral já estão acostumadas”, exemplifica. Os que não têm o costume de freqüentar clínicas veterinárias e nunca ouviram falar da doença podem colocar os animais em risco ao levá-los a uma região litorânea sem a devida prevenção.

O cão pode adquirir a dirofilária (o parasita que provoca a dirofilariose) se for picado por um mosquito infectado. O mosquito, por sua vez, é contaminado ao picar um cão que já tenha a doença, comum em regiões úmidas e com muita água parada. As larvas do verme levam meses para se desenvolverem, podendo atingir até 30 cm de comprimento. O cão pode conviver com o verme durante anos sem apresentar qualquer sinal. Mas quando os sintomas aparecem, a doença pode estar num estado avançado e a saúde do animal fatalmente comprometida.

Prevenção

Existe um tratamento contra a doença, mas o ideal é prevenção, que pode ser feita através de medicamentos como a Ivermectina, Selamectina e a Milbemicina, que podem ser aplicados por via oral (em comprimidos), injetável ou tópica (com a aplicação do produto feita direta na pele). A professora Rosemarie Leite Capinzaiki, dona do poodle Beethoven, de 10 anos, tem o costume de proteger seu animal de estimação quando viaja para a praia e elogia a prevenção. “Ele nunca teve vermes enquanto usou o medicamento”, diz. Ela conta que foi sua filha quem começou a medicar o cão antes das viagens para o litoral. “Ela seguiu a recomendação da clínica veterinária”, conta.

O ideal para quem vai viajar para a praia com o seu animal de estimação, segundo Valéria, é procurar saber quais são as doenças endêmicas locais, ou seja, aquelas que afetam de forma permanente ou em determinados períodos a uma região, que podem trazer algum perigo para os bichinhos e procurar a prevenção. “Quando algum cliente meu de outra cidade vem a Bauru, por exemplo, eu recomendo que ele coloque uma coleira contra a leishmaniose no cachorro”, explica, lembrando que a doença que atinge a região de Bauru é até desconhecida em outras cidades. Segundo ela, o cuidado, além de proteger o animal, evita que as doenças sejam levadas a regiões nas quais elas não existem.

No caso da dirofilariose, o medicamento deve ser administrado com 30 dias de antecedência e continuar a ser dado ao animal durante o período em que ele estiver no local, recomenda a veterinária. Alguns medicamentos são larvicidas, e matam os vermes antes que eles comecem a se desenvolver.

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Cuidados ao viajar

A prevenção contra a dirofilariose é apenas um dos cuidados que é preciso ter antes de decidir embarcar os bichos de estimação – cães ou gatos - para uma temporada na praia.

Os preparativos devem começar com uma visita ao veterinário para que seja feito um atestado de saúde do animal, que é válido por um mês. As vacinas também devem estar em dia, principalmente a anti-rábica, a V-10, no caso dos cães, ou a tríplice, para gatos. Segundo o veterinário homeopata Paulo Roberto Tavares Zanardi, o atestado de saúde do animal e o certificado de que as vacinas foram dadas, além do caráter preventivo, são indispensáveis caso a pessoa queira deixar o seu bicho de estimação num hotel para animais em outra cidade.

Zanardi recomenda que o plano de viagem leve em conta a presença do animal de estimação, o que significa reservar tempo para paradas no caminho e escolher um horário do dia no qual a temperatura não seja muito alta.

O local onde o animal será colocado também é importante. Ele pode ir em uma caixa de transporte (existem muitos modelos de tamanhos variados nos pet shops) ou mesmo no colo de uma pessoa, desde que ela consiga segurá-lo. “Se ele estiver solto é preciso que haja um acompanhante que possa cuidar dele o tempo todo”, alerta o veterinário.

A decisão sobre alimentar o animal deve ser do proprietário, segundo Zanardi. “Cada um conhece o seu animal de estimação e sabe se ele passa mal durante a viagem”, diz, ressaltando que nem todos têm enjôo quando viajam. Caso haja necessidade, um veterinário pode indicar um medicamento que evite vômitos e até - como efeito colateral - provoque uma certa sonolência no bichinho.

É claro que tudo isso depende da distância ser percorrida. Se a viagem for muito longa, o ideal é que sejam feitas paradas para que o animal possa andar, comer ou tomar água, urinar e defecar. Sempre ao lado nessas horas, o proprietário do cão ou do gato não deve esquecer de limpar os “rastros” e resíduos que o seu bichinho vier a produzir, um cuidado que deve ser redobrado na praia.

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