Não vai ser este ano que a cidade voltará a ter um desfile de Carnaval no sambódromo, o que não acontece desde 2001. Apesar do projeto “Carnaval de Bauru: O Retorno da Maior Festa Popular Coletiva”, realizado pela empresa Pró Cultura Marketing e Eventos, ter sido aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC), o prazo para a captação de recursos pela empresa Tackcom Comunicação, parceira do Pró Cultura, terminou ontem e a verba necessária para a realização da festa não foi obtida, devido ao pouco tempo que a empresa teve, 11 dias.
Em uma reunião realizada no último dia 8, entre os líderes das escolas Mocidade Independente da Vila Falcão, Coroa Imperial, Azulão do Morro, Água de Ouro e Tradição da Zona Leste e representantes da Secretaria Municipal de Cultura, da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec) e da Tackcom Comunicação, o dia de ontem havia sido definido como prazo final para a captação de recursos por uma questão de tempo. Se fosse prorrogado, mesmo com o dinheiro, as escolas não teriam como viabilizar o desfile no Sambódromo.
A captação de recursos para a realização do desfile gerou polêmica na cidade. Após a publicação de uma matéria sobre o assunto na edição do último domingo do Jornal da Cidade, o vereador e presidente da Câmara Municipal, Paulo Madureira, chefe de Carnaval da Acadêmicos da Cartola – escola que não participou da reunião entre as agremiações e a Tackcom e a Secretaria – criticou, em discurso na tribuna da Câmara, a iniciativa, que classificou como “oportunista”.
Durante a semana, líderes das cinco escolas envolvidas no projeto garantiram que, se houvesse verba, haveria desfile no Sambódromo, apesar do pouco tempo.
A falta de verba para a realização do desfile, anunciada em uma reunião na tarde de ontem na Secretaria Municipal de Cultura, foi uma decepção para os líderes da escolas de samba. “A gente tinha uma esperança, independente das críticas e do tempo curto. Com essa resposta negativa, o que a gente sente é uma tristeza muito grande. Quando se fala de Carnaval, as pessoas pensam na festa mas, para nós, vai além disso. Carnaval além de tudo é cultura”, disse Cleide Maria Neres, presidente da escola Azulão do Morro no final da reunião.
Para o diretor da Tradição da Zona Leste, Francisco Carlos Saes, a polêmica em torno da captação de recursos para o projeto da Pró Cultura atrapalhou. “Essa declaração que o Paulo Madureira fez prejudicou muito... pedindo para os empresários não apoiarem”, avaliou Saes. Segundo o diretor da Tradição, na segunda-feira os representantes das cinco escolas de samba irão se reunir novamente para decidir se farão algum tipo de desfile no Carnaval.
A reportagem tentou entrar em contato com a Tackcom Comunicação ontem, após a reunião, mas até o fechamento desta edição não havia conseguido ouvir seu diretor.