Bairros

Jaraguá é a ‘Meca’ dos templos em Bauru

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

A crença popular costuma dizer que a fé tudo pode, e talvez isso seja mesmo verdade. Há em Bauru, porém, uma tarefa simples que até o mesmo os crentes mais fervorosos teriam dificuldades em realizar: caminhar pelas ruas do Parque Jaraguá sem dar de cara com um templo.

Esse é um feito no mínimo improvável, já que as ruas do bairro estão apinhadas de igrejas. São centenas de capelas, casas de benção, salões de reunião, com arquiteturas e tamanhos variados.

Há ofertas para todo tipo de gosto: quem prefere um rito mais à moda do pentecostalismo clássico, pode optar por um culto da Congregação Cristã no Brasil ou mesmo da Assembléia de Deus (tanto faz se do Ministério do Belém, do Brás ou da Lapa); já quem busca uma celebração ao estilo mais contemporâneo, recheada de pregações emocionadas, curas milagrosas e shows de música gospel, pode procurar igrejas como a Renascer em Cristo ou Internacional da Graça de Deus.

Algumas denominações, como, por exemplo, a Presbiteriana e a Batista, são bastante famosas; outras, como a Esperem em Jerusalém, são quase desconhecidas. Alguns templos seguem um estilo mais conservador e têm até torre; outros porém, mais parecem salões comerciais, com porta de correr e tudo.

Saber quantas são é quase impossível pois, além dos imóveis que funcionam oficialmente como igrejas, há inúmeros “templos de garagem” espalhados pelo bairro. Basta que meia dúzia de fiéis portando uma bíblia se reúnam em torno de um pregador para que o culto ocorra.

Mas há celebrações mais incrementadas. Eduardo Aparecido Frasson, 32 anos, é pastor há cerca de três anos na Igreja Internacional da Graça de Deus. Antes ele era católico, serralheiro e morava em Jaú. Depois de inúmeros de problemas familiares e financeiros, veio a conversão.

Atualmente ele vive em Bauru e se dedica em tempo integral aos fiéis. O templo onde ele trabalha é um dos poucos do bairro que funciona o dia inteiro. “Deixo aberto, pois a qualquer hora pode aparecer alguém precisando de ajuda”, explica.

Como está localizada numa área pobre da cidade, a igreja não dispõe dos mesmos recursos das grandes igrejas do Centro, e Frasson tem de se desdobrar para atender aos fiéis. Ele prega, lê trechos do Evangelho para o público, interpreta a palavra de Deus. O pastor também tem de animar o público com cantos, palmas e coreografias.

Isso sem contar os momentos de orações e as sessões de cura espiritual, considerados os pontos altos das celebrações. Frasson acredita que todo esse esforço tem sido recompensado. “A Bíblia diz: ‘Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e muitas coisas vos serão acrescentadas.’ Na medida em que tenho me entregado ao Senhor, Ele tem me retribuído”, garante.

Dedicação semelhante à do jovem pastor pode ser notada em líderes espirituais de outras religiões. Silvestre Eleodoro Filho e a espora Teresa Neri dos Santos são membros da Igreja Evangélica Pentecostal Jesus é a Paz.

Eles são responsáveis pelo templo (uma edícula localizada nos fundos de um terreno) que a congregação mantém no Parque Jaraguá. Os dois não recebem qualquer tipo de auxílio em dinheiro para tocar adiante a pequena comunidade.

“Para nós, religião não é meio de vida, mas sim um instrumento para louvar ao Senhor. Graças a Deus, não dependemos disso para viver”, garante ela. Teresa é vendedora e o marido trabalha como segurança. Todo dinheiro arrecadado com a cobrança do dízimo está sendo destinado à edificação da nova sede da igreja no bairro.

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