Geral

Ponto eletrônico na Saúde pode começar em fevereiro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

No próximo mês, funcionários da Secretaria Municipal da Saúde de Bauru poderão encontrar uma novidade no trabalho: o relógio de ponto eletrônico. A instalação do dispositivo digital que controla a entrada e saída dos profissionais sempre causou polêmica no setor, principalmente entre os médicos, que criticam a cobrança de horários frente à remuneração considerada baixa pela classe. De acordo com o secretário de Saúde, Mário Ramos, o ponto eletrônico será inicialmente utilizado no Pronto-Socorro Central (PSC) e na sede da pasta.

Apesar das críticas dos médicos, o dispositivo já está sendo instalado. “As torres de transmissão já foram implantadas pela empresa que ganhou a licitação. Vamos programar para fevereiro a utilização relógios de ponto digital em algumas unidades da saúde”, afirma Ramos.

Inicialmente, apenas alguns setores da pasta irão trabalhar com o relógio de ponto eletrônico. “Estamos querendo iniciar em alguns pontos como a sede, o Pronto-Socorro Central. É um projeto de implantação até adaptar ao sistema. Não dá para implantar do dia para a noite. Tem que ter um período de carência para a adaptação dos profissionais”, observa o secretário.

Controle digital

Carlos Alberto Monte Gobbo, integrante do Conselho Regional de Medicina (CRM) em Bauru, ressalta que em momento algum a entidade se posicionou contra a adesão ao controle digital de entrada e saída de funcionários da classe. “O médico é um servidor público como qualquer outro, sujeito à cobrança de horários”, observa.

Para Gobbo, o problema não é a instalação do ponto eletrônico, mas a remuneração da classe, que ele considera baixa. “O problema é que sempre existiu uma cumplicidade entre os dois lados. De um lado, o médico não cumpre o horário. Do outro, o agente fiscalizador faz vista grossa porque paga pouco. Então quem sai prejudicado é o sistema de saúde, é a população”, avalia.

Para ele, a instalação do ponto eletrônico, aliada à má remuneração dos médicos, também pode desencorajar a vinda de novos profissionais para a rede municipal. O secretário Mário Ramos divulgou que em breve será publicado o edital de concurso público para a contratação de especialistas, para cobrir o déficit de 30 profissionais entre pediatria, psiquiatria, clínica geral e ginecologia e obstetrícia.

Dessa forma, a Saúde espera manter a inversão do atendimento, ou seja, atender mais pessoas nas unidades básicas de saúde que nas unidades de urgência e emergência, fato registrado pela primeira vez em quatro anos em setembro do ano passado. “Assim, conseguiremos readequar a inversão do atendimento como manda o figurino”, avalia Ramos.

O conselheiro do CRM, no entanto, avalia que se a categoria não tiver um reajuste atrativo, o concurso pode não atingir seu objetivo. “Vai ser colocado ponto eletrônico para um salário que ninguém se interessa. Não vai ter quem bater ponto. Então, vai ter que colocar dinheiro a mais para atrair esse profissional. Com a gratificação, o que vai subir efetivamente no salário é algo em torno de 35%. Mesmo com isso, acredito que a prefeitura vai ter dificuldade para contratar”, avalia Gobbo.

Comentários

Comentários