De seis a oito meses após a morte, os corpos em decomposição liberam 60% de água, 30% de sais e 10% de substâncias orgânicas biodegradáveis. O líquido da decomposição é conhecido como necrochorume e pode contaminar o lençol freático.
“Nas partes mais baixas dos cemitérios públicos, o lençol freático é mais raso. O necrochorume pode atingi-lo e aí ele (o líquido da decomposição) pode se espalhar por uma grande distância. Os vírus permanecem vivos por centenas de milhares de anos e podem andar muitos quilômetros”, diz o geólogo Lezíro Marques Silva.
De acordo com ele, se o lençol freático contaminado passar por um poço clandestino, a pessoa que consome a água pode contrair uma doença, caso esteja com a imunidade baixa. “Pode morrer de uma doença que matou outro há quilômetros de distância, há dez, 15 anos atrás”, comenta o pesquisador.
Mas segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE), não há registro de poços profundos, mesmo particulares, próximos aos cemitérios municipais de Bauru.
O geólogo aponta a saturação da capacidade de sepultamento como ponto de partida do problema. A exumação das ossadas é autorizada após três anos, diante da necessidade da liberação de vagas para um novo corpo.
Para tanto, os ossos são limpos. “Aí é que vem a porcaria. Eles pegam aquela maçaroca, limpam com uma espátula e água e entregam os ossos à família. O cadáver semidecomposto está cheio de vírus e bactérias”, explica o pesquisador. Livre dos ossos, o material segue para o solo.
Em Bauru, como as exumações ocorrem após três anos do sepultamento, os cemitérios não estão saturados, informa a Emdurb. No entanto, no da Saudade e no São Benedito não há mais espaço para construção de novos túmulos. As vagas disponíveis para sepultamento dependem das exumações.