Washington - Com a popularidade em queda livre e a maneira como conduz a Guerra do Iraque minando sua base de apoio, George W. Bush apelou para uma questão cara aos americanos no discurso “O Estado da União”, que fez anteontem a partir das 21h01 locais (0h01 de ontem de Brasília): o consumo de energia.
Num discurso ameno, sem frases de efeito como o de 2002 - quando utilizou a expressão “eixo do mal” para se referir a países inimigos- e dirigido pela primeira vez em seu mandato a um Congresso dominado pela oposição democrata, Bush sugeriu que o consumo de gasolina do país diminua 20% nos próximos dez anos.
“Nós precisamos continuar a investir em novos métodos de produzir etanol”, discursou Bush - segundo material de apoio enviado previamente aos jornalistas, o etanol seria responsável por 75% da compensação dessa redução. Batizado de “Vinte em dez”, o plano determina que o uso obrigatório de combustíveis renováveis seja de 132,5 bilhões de litros em 2017. “Nosso país tem sido dependente de petróleo estrangeiro por tempo demais.”
Irã e Iraque
O Irã teve um papel importante na segunda parte do discurso, dedicado à política externa. Bush disse que os EUA ainda são “uma nação em guerra” contra o terrorismo e, depois de pedir que a briga se dê “com o inimigo”, não entre os americanos, afirmou: “Se as forças americanas saírem antes de Bagdá estar segura, o governo iraquiano seria dominado por extremistas de todos os lados.
Poderíamos esperar uma batalha épica entre os extremistas xiitas apoiados pelo Irã e os extremistas sunitas ajudados pela Al-Qaeda e apoiadores do regime anterior. (...)
Para os EUA, é um cenário de pesadelo. Para o inimigo, o objetivo.” Diria ainda: “Essa não é a luta pela qual entramos no Iraque, mas é a luta na qual nos encontramos. Todos nós gostaríamos que essa guerra tivesse acabado e sido ganha. No entanto, não seria próprio de nós sairmos com nossas promessas não-cumpridas, nossos amigos abandonados e nossa própria segurança em risco.”
Oposição
Liderados pelo republicano John Warner, políticos da situação expressaram sua oposição ao aumento de tropas proposto por Bush no último dia 10. “O soldado americano não deve ser colocado no meio de uma briga entre os sunitas e xiitas”, disse Warner.
Os políticos ecoam números eloqüentes de pesquisas de opinião recentes. Bush fez seu discurso anual com seu índice de aprovação em 33%, o pior desde que assumiu o primeiro mandato, em 2001.
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Efeito no Brasil
A longo prazo, o anúncio de maior utilização de etanol pode ser uma boa notícia para o Brasil, o segundo maior produtor mundial do combustível (o primeiro são os EUA).
Tal como está organizada a produção norte-americana hoje, porém, o mais provável é que de imediato beneficie os agricultores de milho norte-americanos, que contam com um poderoso lobby entre os republicanos no Congresso e dispõem de generosos subsídios do governo federal.
Pelo menos metade do novo etanol deve ser feito a partir do milho. Hoje, os EUA têm de importar 65% do petróleo consumido, que responde por 40% de toda a energia no país, o que representa um quarto do petróleo usado no mundo.