Regional

Alunos boicotam exame do Cremesp

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Anos depois de terem enfrentado um dos mais concorridos vestibulares do Brasil, os alunos sextanistas de medicina da Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) tiveram uma participação quase que insignificante na prova do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp): 1,1. Os poucos participantes conquistaram uma média de 77,00 de acertos. O exame que avalia o ensino oferecido pela faculdade não é obrigatório e nem tem o poder de barrar a entrada de novos profissionais no mercado.

Para o conselheiro do Cremesp e também professor da Unesp de Botucatu, Carlos Alberto Monte Gobbo, só há uma explicação: insegurança. “Eles estudam numa escola integral e gratuita. Uma das melhores do país. Será que eles não têm curiosidade de saber se o que aprenderam é ideal?”, pergunta.

Para o médico, a posição dos alunos é retrógrada, covarde. “A prova foi muito bem elaborada para ser desenvolvida em duas fases. A primeira de múltipla escolha para avaliar a teoria e a segunda, a prática.”

O conselheiro diz que alguns alunos alegaram que o Cremesp tenta barrar a entrada de novos profissionais no mercado de trabalho. “Isso não é verdade, mesmo porque só se submetem ao exame os alunos que quiserem e mesmo não tendo obtido ótimas notas, ele recebe a carteira de médico.”

Gobbo ressalta que o exame não é desenvolvido nos moldes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “A avaliação é do ensino e não do aluno, tanto que a divulgação do resultado é macro, só sai o nome da universidade, não individualizado. Mesmo reprovado, ele pode trabalhar. ”

Responsabilidade

Na opinião do conselheiro, a responsabilidade do Cremesp é muito grande. “Tem que dar a carteira profissional para essa pessoa e ser avalista dela. Se houver erro, não podemos ser omissos e na maioria dos casos os erros são frutos da má formação universitária e não da falta de caráter do profissional.”

Como parte do corpo docente, Gobbo acha que os professores terão que avaliar o que está ocorrendo com os alunos da Unesp de Botucatu, uma vez que a participação de outras universidades, como a USP de São Paulo e de Ribeirão Preto, foi muito maior, 21,2 e 48,6 respectivamente. A maior participação ficou com a PUC de Campinas (93,7), seguida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 86,9.

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Carlos Chagas

O exame aplicado pelo Cremesp nas universidades do Estado de São Paulo foi elaborado pela Fundação Carlos Chagas e direcionado para os alunos do 6o ano de Medicina. O índice de reprovação atingiu 38% contra 31% do ano anterior, 2005.

Não obrigatória e sem valor oficial, a prova serve para avaliar o ensino oferecido pelas faculdade de medicina de todo o Estado.

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