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Pequenos gestos ajudam a reduzir o efeito estufa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Atitudes simples como deixar o carro na garagem de vez em quando e preferir andar a pé, de ônibus ou ir de carona podem fazer uma grande diferença na preservação do meio em que vivemos. Se cada um fizer um pouco, todos serão beneficiados com os resultados positivos dessas ações aparentemente isoladas.

Essa análise é compartilhada por um grupo de ambientalistas, entre eles Rodrigo Agostinho, que é secretário do Meio Ambiente em Bauru que estuda os efeitos do aquecimento global na vida cotidiana do planeta, e Adalberto Wodianer Marcondes, diretor responsável da Agência Envolverde - especializada em temas ambientais.

E esses efeitos já começaram a ser sentidos com mais intensidade. O aumento da temperatura média em várias partes do mundo, o registro de ciclones no Brasil, especialmente na região Sul, furacões que causam morte e destruição poucas vezes vistas na história (vide Nova Orleans, nos Estados Unidos, no ano passado) e o derretimento das calotas polares são alguns dos exemplos mais recentes do que o aquecimento global é capaz de provocar.

De acordo com os cientistas, esses fenômenos podem ser naturais ou provocadas pelo homem. Contudo, cada vez mais as pesquisas nesta área apontam o homem como o principal responsável. Assim como Agostinho, o diretor responsável da Agência Envolverde, também afirma que o controle do efeito estufa passa necessariamente pela mudança de hábito.

Segundo Marcondes, o tema tem despertado o interesse das pessoas. Prova disso é o número de retornos que os termos “aquecimento global” (1.180.000) e “efeito estufa” (1.110.000), para ficar em apenas dois exemplos, têm quando consultados no Google – a mais avançada ferramenta de busca da Internet. “Isso apenas em sites em português. Se a mesma busca for realizada em inglês, certamente os números serão astronômicos”, afirma Marcondes.

Políticas públicas

Na opinião do ambientalista Rodrigo Agostinho, no entanto, não basta apenas atitudes individuais. Segundo ele, é preciso que haja também políticas públicas voltadas para a solução desse problema.

Para Marcondes, é bom que a sociedade tenha a percepção de que as emissões de dióxido de carbono na atmosfera estão causando o aquecimento global e que isso vai levar a grandes catástrofes mundiais que afetarão tanto países ricos como pobres. Daí podem surgir pressões em favor de políticas públicas globais de redução de emissão de carbono na atmosfera.

Ele lembra que para o Brasil, em tese, seria fácil fazer sua parte. “É só parar de devastar as florestas.” As emissões de carbono no País estão divididas entre queima de combustível, seja para atividades industriais, de transporte ou de geração de energia, e a queima de matéria orgânica resultado de desmatamentos florestais, principalmente na Amazônia.

“Hoje, o Brasil é um dos maiores emissores de gás carbônico por conta das queimadas de florestas”, afirma Agostinho. De acordo com ele, nos últimos dez anos foram desmatados uma média de 25 mil quilômetros quadrados por ano de floresta na Amazônia. Segundo o ambientalista, o Brasil é atualmente o quarto ou quinto país que mais emite gás carbônico na atmosfera.

Por outro lado, ele lembra que o País também tem dado bons exemplos com a adoção do biocombustível. A utilização do álcool como combustível também é outra colaboração valiosa para o meio ambiente, segundo ele.

Outro pequeno gesto que pode fazer uma diferença enorme na manutenção de um ambiente saudável e equilibrado, segundo Agostinho, é plantar uma árvore. Atitude como essa pode compensar parte do dano ambiental, porque as plantas absorvem o gás carbônico, responsável pelo efeito estufa.

Agostinho é membro da coordenação dos grupos de trabalho do Fórum Brasileiro de ONGs sobre mudanças climáticas e acompanha a discussão do tema “aquecimento global” no Conselho Nacional do Meio Ambiente.

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