Em nome da empregabilidade, a farmacêutica bioquímica Valéria Romero, 28 anos, entregou-se quase que por completo aos estudos. Além de dar aulas para os alunos de farmácia da Universidade do Sagrado Coração de Jesus (USC), ela viaja todos os dias para Botucatu, onde está concluindo o mestrado em farmacologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp). As viagens incluem também o sábado e domingo, quando ela aproveita para dar seqüência às pesquisas que vem desenvolvendo na pós-graduação.
E depois que concluir o mestrado, Valéria já avisou: “Vou começar a fazer o doutorado”. Ou seja, a vida corrida vai continuar com as viagens diárias até Botucatu, as aulas na universidade e mais pesquisas. “A minha sorte é que eu tenho um marido compreensivo”, comemora ela, que admite ter abandonado a família para se dedicar aos estudos.
Todo esse sacrifício, entretanto, tem uma justificativa. “Encaro tudo isso primeiro como uma satisfação pessoal, depois como uma necessidade profissional porque, se eu não me atualizar, fico pelo caminho. As exigências do mercado de trabalho são cada vez maiores”, afirma.
Valéria lembra que a profissão que ela escolheu não permite que o profissional se acomode. “É preciso estar sempre produzindo.” Entre uma pesquisa e outra, é indispensável a participação em congressos e a publicação de trabalhos em revistas científicas.
Os compromissos são tantos que Valéria já recebeu recomendações médicas para pôr um pouco o pé no freio. O pouco de tempo que sobra nos fins de semana, ela aproveita para organizar suas coisas em casa e para caminhar no fim da tarde. É assim que ela relaxa. Afinal de contas, como ela mesma reconhece, não adianta nada conquistar tantas coisas e não ter saúde para desfrutar todas elas.