Com quase 40 anos de fundação, o Instituo Profissional de Reabilitação Social Primeiro de Agosto (Iprespa) busca novas parcerias para continuar atendendo a comunidade. Instalado em uma área de 13 alqueires, localizada próxima ao Hospital Estadual e avaliada em cerca de R$ 20 milhões, o instituto, que não utiliza todo o terreno, está disposto a ceder parte da área para a construção da Cidade Judiciária, complexo que reuniria as instalações dos diferentes ramos do Judiciário em Bauru, inclusive da área federal, além dos respectivos escritórios do Ministério Público (MP).
De acordo com o presidente da instituição, Djalma de Oliveira, atualmente a entidade atende cerca de 150 pessoas em palestras, distribuição semanal de sopa, acompanhamento odontológico, cursos de informática e para gestantes. Também armazena e vende materiais recicláveis coletados pela comunidade, que recebe o dinheiro da comercialização.
O terreno do Iprespa foi doado pela Prefeitura de Bauru em 1973. Mas, em 2004, a administração pediu à entidade a devolução do lote para doação a uma empresa que na época poderia se instalar no local. O advogado do Iprespa, Evilásio Pereira da Silva Júnior, conta que a entidade chegou a propor a cessão do prédio por tempo determinado mediante a cobrança de contribuição, mas não houve acordo.
Em seguida, a prefeitura ingressou na Justiça para retomar a área da entidade, o que também reduziu as contribuições e voluntários do instituto. O Iprespa contestou a ação e, em outubro do ano passado, o juiz Walmir Idalêncio dos Santos Cruz julgou a ação improcedente. Porém, ainda no ano passado, o Ministério Público ingressou com uma ação de dissolução da sociedade. “A instituição rebateu todos os argumentos e demonstrou a realidade. Isso levou o Judiciário marcar uma audiência de conciliação em dezembro”, relata Silva Júnior.
Na data marcada, o juiz achou melhor remarcar o encontro reunindo todos os interessados. No próximo mês, participarão da audiência o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer e os representantes do Iprespa, Prefeitura, Ministério Público e Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).
O advogado acredita que a audiência será positiva. “A partir do momento que todos se reunirem, as perspectivas são as melhores possíveis. A instituição está aberta a propostas e acreditamos que o espaço será utilizado para atender da melhor forma a comunidade”, avalia Silva Júnior. Uma das propostas para a utilização do terreno da entidade, é a cessão de uma área para a construção da Cidade Judiciária.
“No ano passado quando o Jornal da Cidade publicou a primeira reportagem sobre a possibilidade da construção do complexo, a diretoria da entidade aprovou um projeto que cederia 30 mil metros quadrados para o Judiciário”, lembra Silva Júnior. A área é o triplo do solicitado pela Justiça.
A proposta só não foi colocada em votação na assembléia da entidade por conta do processo movido pela prefeitura, que ainda não tinha sido concluído. “Como a ação ainda estava em curso, consideramos aético fazer a oferta”, lembra o advogado. A proposta será encaminhada em breve ao judiciário.
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Propriedade
Fundado em 1969, o Instituo Profissional de Reabilitação Social Primeiro de Agosto (Iprespa) possui em sua área de 13 alqueires, doados pela prefeitura em 1973, um prédio de dois andares com 1,8 metros quadrados de área construída. A propriedade ainda possui duas residências para caseiros, um poço com 160 metros de profundidade, sistema de iluminação e esgoto, o galpão para reciclagem, campo de futebol, galpão onde era mantida a criação de suínos e um estábulo também desativado.
O idealizador do instituto, José Rodrigues da Cunha, tinha como objetivo oferecer à comunidade um instituto profissionalizante na área rural, oferecendo cursos sobre o trato de animais e hortaliças. Atualmente a entidade mantém o caráter profissionalizante de seus projetos, mas investe em outras áreas de formação.