Um grande amigo me contou e eu, como gosto de compartilhar as histórias e os “causos”, vou contar a vocês leitores desta bela coluna. Lá pros anos 60, na região de Pardinho, existia uma família muito unida e tudo que fazia, fazia sempre em grupo. Os homens dessa família gostavam muito de pescar e volta e meia se encontravam para as aventuras nas beiras dos barrancos de vários rios da região.
Naquele tempo tudo era mais difícil, não tinha as “modernagens” que temos hoje, tinham que ir a pé ou a cavalo, seguindo por trilhas muitas vezes quase sem condições nenhuma de caminhar, mas, iam e várias vezes tinham que pernoitar na mata, porque o retorno era impossível na escuridão da noite.
Como em todas as famílias, nessa também tinha um senhor já de meia idade, tio desse meu amigo, que gostava de tomar umas “branquinhas” e, para o desespero do pessoal, ele sempre os acompanhava nas pescarias, mas era até divertido porque o tio tomava umas e outras e dava um show à parte, pois era bastante alegre e ativo, sempre fazendo suas brincadeiras.
Certo dia foram pescar num local bastante ermo, então levaram muita “traia” para passar dois dias e duas noites, chegaram já escurecendo, aí foi aquela correria para erguerem as lonas a fim de construírem uns ranchos amarrados com pedaços de cordas e cipós. Depois de tudo ajeitado, tomaram uma cachacinha e cada um foi ‘pro’ seu canto comer o que tinha levado e depois descansar para pegar na “empreitada” logo pela manhã.
No outro dia bem cedo, levantaram e começaram a arrumar as “ferramentas” de trabalho, anzóis, linhas, chumbadas, varas e iscas, mas cadê a lata de dois litros cheia de minhocas que tinham levado? Procuram daqui, procuram dali e nada, aí se lembraram do tio que ainda não tinha se levantado, talvez ele tinha escondido a lata, mas qual não foi a surpresa, quando se virou para atender os chamados, estava com a boca cheia de terra vermelha e a seu lado encontraram uma lata de dois litros cheinha de macarronada.
Conclusão: naquela confusão da noite anterior e com varias cachaças na cabeça, o tio comeu todas as minhocas pensando que fosse a macarronada e dormiu tranqüilo até o sol nascer.
Ivo de Jesus Ribeiro é pescador e contador de histórias.