Tribuna do Leitor

Espetáculo x vergonha


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A peça “Um grito parado no ar”, escrita pelo saudoso Gianfrancesco Guarnieri, foi apresentada no último dia 28 como encerramento da VI Mostra de Teatro Paulo Neves no Teatro Municipal de Bauru. O texto escrito por Guarnieri retrata justamente os obstáculos que os praticantes de teatro amador enfrentam para estrear um espetáculo. Obstáculos estes vividos e sentidos na pele por todos que, como eu, fizeram parte dessa mostra, em especial do elenco que apresentou este espetáculo.

As dificuldades de se conseguir um dia para ensaiar no palco do teatro, a falta de apoio, a precariedade dos camarins, a deficiência nos aparelhos de iluminação, e as altas taxas cobradas pelo aluguel e limpeza do teatro não são novidade quando se trata de levar sonhadores ao palco. Quando barreiras como estas são ultrapassadas, o que predomina é o sentimento de realização, e, ao final, terminamos por pensar que “dificuldades sempre existirão”.

A gota d’água veio no momento da estréia do espetáculo, juntamente com a forte chuva que desabava sobre a cidade. Estava todo o elenco no palco havia uns 10 minutos, quando, como que por ironia do destino, acabou a energia. Para a surpresa de todos... o teatro municipal não tem gerador! Apresentamos a peça à luz de velas até o final.

Foi então que a indignação falou mais alto. Mais alto que as palmas e elogios que recebemos de gente que chegou a pensar que era tudo combinado... passado a turbulência resolvi escrever e pedir providências...

Para mim, é impensável que a possibilidade de algum dia faltar energia no Teatro Municipal de Bauru passou despercebida quando foi realizada aquela tão demorada reforma. É tão incabível quanto a antiga divisão das poltronas, onde só existia um corredor... e, é tão real quanto o descaso dos governantes com relação à cultura do município. Quando alguém ganha fama e prestigio é fácil ter orgulho e “encher a boca” para dizer: “Celulari é Bauruense!”, “Pelé jogou no BAC!”, “Marcos Pontes admira a avenida Nações Unidas!”... pois relatem a eles estes fatos, e perguntem senhores governantes se eles sentem o mesmo orgulho pela administração da Cidade Sem Limites.

Muito obrigada e parabéns, merecem: Marcel Bighetti, Diego Antony, Osmar Nunes Jr, Thais Lemos e Talita Neves, que fizeram essa peça acontecer. Quanto aos administradores de Bauru... deixo, assim como Guarnieri, “Um grito parado no ar”.

Wanessa Ferrari - estudante de jornalismo e integrante do elenco “Um grito parado no ar”

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