Os órgãos de saúde e hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru mais o Ministério Público (MP) há mais de um ano tentam encontrar uma alternativa para atender quem está na fila para consulta. Neste mês, ainda com 12 mil pessoas à espera de atendimento médico, será realizado um mutirão. A informação é de Carlos Alberto Macharelli, dirigente do Departamento Regional de Saúde-6 (DRS-6), antiga Direção Regional de Saúde (DIR-10).
“A data não foi fechada, mas as providências devem começar a ser tomadas agora”, afirma. As consultas serão feitas respeitando a particularidade de cada hospital, segundo Macharelli. O Hospital de Base (HB), por exemplo, deve atender casos de oftalmologia e ortopedia enquanto o Hospital Estadual (HE) vai focar a ação sobre as consultas para problemas ortopédicos. A proposta do mutirão para zerar a espera de consultas foi divulgados em dezembro do ano passado, durante mais uma reunião no Ministério Público, com a presença de dirigentes da saúde da cidade.
Ainda não foi estipulado, explica o dirigente do DRS-6, se haverá um dia da semana especialmente destinado aos trabalhos do mutirão. A grande parte dos atendimentos deve ser voltada às consultas. Pedidos de exames e outros procedimentos ficam por conta da triagem dos casos.
Segundo Macharelli, a maior parte das consultas atrasadas é na especialidade de ortopedia. São entre quatro e cinco mil pessoas esperando atendimento nesta área, o que corresponde de 33% a 41% da demanda reprimida de atendimentos. “A maior parte desses casos vêm de alguns anos. São pacientes agudos, que acabam resolvendo seus problemas no prontos-socorros ou mesmo na farmácia”, afirma.
De acordo com Macharelli, no mutirão, além dos médicos das unidades de saúde que atendem pelo SUS, os residentes do curso de medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu vão ajudar. Todo o trabalho feito será remunerado e não voluntário. Por isso, explica o diretor do DRS-6, não há um prazo final para que a fila seja zerada.
A primeira previsão dos órgãos de saúde e do MP era atender as 12 mil pessoas na fila de espera até abril. Porém, Macharelli já avisa que o prazo pode ser estendido porque os orçamentos estadual e municipal para a saúde ainda não foram fechados para 2007.
Aliás, os hospitais e santas casas da região estão com seus contratos com as Secretarias de Saúde sendo revistos. Macharelli afirma que a nova proposta de repasse de fundos para as instituições vai ajudar na regularização das contas. “Os contratos vão ser feitos de forma proporcional, de acordo com o tipo de atendimento. Um exemplo prático: se o número de radiologias feitas excede em 50% a verba destinada, o hospital tem de arcar com o gasto. Desta forma, existe uma compensação das contas, o dinheiro não gasto em uma área vai para outra dentro do hospital”, explica.
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Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) e gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde, aponta que a demora na realização dos mutirões aumenta ainda mais o número de pessoas na fila. Ela lembra do trabalho realizado para levantar e cadastrar todas as consultas pendentes em Bauru, no ano passado, e alerta que, até agora, nenhum procedimento foi realizado.
“São milhares de pessoas aguardando há meses. Temos fila de mais de três mil consultas em neurologia, seis mil em ortopedia”, calcula. Ela avalia que a nova direção regional de saúde tem de se adaptar ao novo sistema, mas desde que não haja prejuízo aos usuários.