Nacional

Aviões são barrados em Congonhas

Por Da Redação | Com Folhapress e Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Em nota divulgada no início da tarde de ontem, a Justiça Federal de São Paulo confirmou que a partir de amanhã deverão ser suspensas as operações de pousos das aeronaves Fokker 100, Boeing 737-700 e Boeing 737-800 no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo). A decisão foi determinada anteontem pelo juiz federal substituto da 22.ª Vara Cível, Ronald de Carvalho Filho, ao avaliar pedido do Ministério Público Federal para que fossem interrompidos os pousos e decolagens no aeroporto.

Os aviões que estarão proibidos de transitar pelo aeroporto utilizam mais de 80% da pista do terminal ao realizar decolagens ou pousos, de acordo com os dados enviados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) à Justiça Federal.

Em sua sentença, o juiz afirma que resta menos de 388 metros de pista quando estes modelos pousam ou decolam, o que seria inseguro. Segundo ele, os modelos deixam apenas 378, 308 e 356 metros livres, respectivamente. Os outros modelos analisados pelo magistrado com base nos dados da Anac são o Boeing 737/300, o A-319 e o A-320. Eles deixam, em média, 476, 603 e 447 metros remanescentes, respectivamente. Um dos modelos que circula pelo aeroporto, o Boeing 737/400, não foi analisado por falta de informações. A Anac deverá entregá-las nos próximos dias.

Os modelos permanecerão vetados até o término das obras de recuperação da pista principal de Congonhas, para prevenir acidentes. De março de 2006 a janeiro deste ano, quatro aviões derraparam. Outra medida de segurança adotada é interditar a pista quando chove. Quando Congonhas reduz a capacidade ou interrompe suas atividades, um efeito dominó provoca atrasos e cancelamentos em vôos de todo o País.

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) vai recorrer da decisão. Para o MPF, não é necessário proibir a aterrissagem dessas aeronaves. O ideal seria interditar a pista principal de Congonhas para imediata reforma e utilizar apenas a pista auxiliar para os pousos. Para o MPF, a reforma da pista principal, com o reagendamento dos vôos para os aeroportos de Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas), ainda é a melhor solução para os problemas enfrentados ultimamente pelos usuários de Congonhas, sobretudo com o constante adiamento de vôos em dias de fortes chuvas.

Os procuradores avaliam que a reforma deve começar pela pista principal, o mais rapidamente possível, e não apenas depois do Carnaval, como foi anunciado pela Infraero. No recurso, o MPF insistirá também na proibição das operações do aeroporto de Congonhas após as 23h.

Prejuízo

As companhias aéreas OceanAir e Gol devem ser as mais afetadas pela determinação. Em nota, a OceanAir informou que dez de seus 20 aviões são Fokker-Mk 28 - uma versão do Fokker-100 -, três são Fokker-50 e sete são Brasília. No final de 2006, a Gol tinha 65 aeronaves, sendo 56 Boeing 737.

Uma das alternativas para o problema seria desviar os vôos afetados para os aeroportos de Guarulhos (Grande São Paulo) e Viracopos (Campinas-SP), segundo a diretora da Anac, Denise Abreu. Os dois terminais, no entanto, teriam capacidade para absorver apenas 30% do tráfego. “(Se o recurso não der certo) Vamos chamar todas as empresas e repassar as linhas para outros aeroportos. Certamente haverá muito transtorno.”

Denise também demonstrou preocupação em relação à Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), que neste ano fará uma auditoria no País. E que, em razão dos problemas ocorridos desde o acidente com o Boeing da Gol - que matou 154 pessoas - e as sucessivas crises nos aeroportos, poderá rebaixar o Brasil de categoria na classificação da entidade.

Comentários

Comentários