Brasília - A Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil fez ontem um alerta de que a compra de votos nas eleições de 2006 pode ter influenciado significativamente o resultado do pleito. Pesquisa encomendada pela ONG e outras entidades, como a Unacon - que representa os servidores da Controladoria Geral da União (CGU) e da Secretaria do Tesouro Nacional -, apontou que 8,3 milhões de eleitores (8,25% do eleitorado) receberam ofertas de compra de votos nas últimas eleições. Em 2002, o índice foi de 3,3%.
A pesquisa não indicou para qual cargo essas pessoas foram instadas a vender seus votos - se para presidente da República, governador, deputado federal ou estadual -, nem se elas chegaram a cometer o crime. Para o diretor executivo da Transparência Brasil, Cláudio Abramo, os dados são preocupantes uma vez que o contingente de eleitores que foram instados a vender seus votos é maior do que a soma de todos os votos depositados nos Estados de Roraima, Amapá, Acre Tocantins, Rondônia, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Amazonas.
O Paraná foi o Estado com o maior número de incidência de compra de votos. Segundo a pesquisa, 22% dos eleitores receberam proposta nesse sentido, o que significa 1,3 milhão de eleitores. Entre as regiões, a maior incidência foi na região Sul, seguida da Nordeste, Sudeste e Norte/Nordeste.
A pesquisa revelou o perfil dos eleitores mais vulneráveis a vender seus votos. Ao contrário do que se costuma avaliar, esse grupo não é formado pelos mais pobres ou menos instruídos, são os mais jovens que se dizem dispostos a negociar o voto. Conforme a pesquisa, 15% dos eleitores de 16 a 24 anos receberam oferta de compra de voto.
A escolaridade também não influencia. Os mais vulneráveis são os eleitores que têm de 5.ª a 8.ª séries - 11% receberam ofertas -, mas os eleitores com nível superior também são vulneráveis - 10% foram instados a vender seus votos.