O recente Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, pretende investir cerca de R$ 55 bilhões em obras de melhoria e integração da infra-estrutura do setor de transportes. Desse montante, R$ 31 bilhões virão do Orçamento da União, R$ 17 bilhões do BNDES e R$ 7 bilhões de investimentos privados. O PAC prevê a recuperação de 32 mil quilômetros de rodovias e a adequação e duplicação de outros 3,2 mil quilômetros, além da construção de quase7 mil quilômetros de estradas. Também estão previstos recursos para a sinalização de 72 mil quilômetros de rodovias, para estudos e projetos técnicos em 15 mil quilômetros rodoviários e para os sistemas de pesagem de caminhões e segurança de tráfego, além da conservação da malha rodoviária federal. Segundo o governo, no período 2007-2010, cerca de 42 mil quilômetros de rodovias devem receber melhorias.
O crescimento do país necessita promover a eficiência produtiva em áreas já consolidadas e fomentar o desenvolvimento em áreas de expansão de fronteira agrícola e mineral, além de mitigar as desigualdades regionais. A malha rodo-ferro-hidroviária brasileira está uma calamidade. Para o modal hidroviário fluvial, que tem importância estratégica, sinaliza-se com obras de melhoria na hidrovia Paraná-Paraguai, na hidrovia do São Francisco e construção das eclusas em Tucuruí. O PAC pretende investir na melhoria de 2,5 mil quilômetros de ferrovias, contando com investimentos públicos e privados. A desobstrução de gargalos logísticos propõe beneficiar 12 portos marítimos e permitir a construção de 67 portos fluviais e uma eclusa, na Amazônia. No papel, tudo parece muito animador!
A logística brasileira se depara com sérios problemas. O setor de transportes no Brasil, uma parcela estratégica da função logística, está “internado na UTI” esperando por um milagre ou por uma “eutanásia”, pois não mais suporta tanto descaso por parte das autoridades nacionais.
Os portos são ineficientes e caros; a malha ferroviária adormece em meio a um matagal, a casas construídas no seu entorno (nas grandes cidades) e está apoiada em dormentes apodrecidos com o tempo. O transporte aeroviário convive com imensas dificuldades na sobrevivência de suas empresas. A Transbrasil fechou, a Vasp e a Varig agonizam. Para não falar dos aeroportos que chegaram ao seu limite de capacidade e o sistema de controle aéreo que insiste em perenizar uma crise aguda. A justiça fecha e abre aeroportos. O setor aéreo carece, no momento, de confiabilidade.
O cenário das rodovias federais é ainda pior. Elas são conhecidas pelos buracos, acidentes de tráfego, lamas e assaltos a caminhões de cargas. Não há como analisar o PAC sem pensar na recente operação “tapa buracos” do governo federal. Vale a pena citar as palavras do ministro Augusto Nardes, do TCU: “Não houve um planejamento anterior. As obras deveriam ter começado antes do período de chuvas. Mas foi tudo feito a toque de caixa”. O ministro questionou a qualidade dos trabalhos executados e acusa o governo de fazer uma “maquiagem” nas rodovias. O custo Brasil cresce e a competitividade nacional perde força.
Diante deste quadro desolador e de esperanças que esvaem no tempo, resta à sociedade rezar muito para que uma luz divina desça sobre as autoridades federais, devolvendo a todos os brasileiros a confiança de que realmente o país possa voltar a crescer em médio prazo, pelo menos.
O autor, Archimedes Azevedo Raia Jr., é engenheiro, mestre e doutor em transportes e professor da Universidade Federal de São Carlos. E-mail: raiajr@power.ufscar.br