Este poderá ser um ano de ouro para quem pretende conquistar uma vaga dentro do concorrido universo do funcionalismo público. Só no âmbito federal, sem falar das oportunidades que serão oferecidas por Estados e municípios, o governo criará cerca de 46 mil vagas em 2007. Para aqueles que estão dispostos a encarar uma eventual mudança de cidade ou até mesmo de Estado, a sorte está lançada.
Somente no Poder Executivo devem ser abertas 25,3 mil vagas, um crescimento de 32% em comparação ao ano passado. As áreas mais promissoras são as de seguridade social, educação e esportes que devem contratar de 9.507 a 12.909 novos funcionários. Outro setor que deverá estar bastante movimentado este ano será o da Justiça Eleitoral. O Orçamento federal de 2007 prevê a contratação de mais 6.265 servidores.
Além desse concurso, o Poder Judiciário fará outros que totalizarão quase 15 mil vagas. Já o Poder Legislativo deve contratar cerca de 800 novos funcionários.
Mas por enquanto, apenas dois concursos tiveram seus editais publicados. Um deles é para preenchimento de 584 vagas na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As inscrições começam amanhã e seguem até 13 de março. O salário varia de R$ 1.598,88 a R$ 4.797,73, dependendo do cargo.
Os interessados podem se inscrever ou ler o edital no site www.nce.ufrj.br/concursos, mediante pagamento de taxa, que varia de R$ 35,00 a R$ 95,00. As inscrições também podem ser feitas nas agências credenciadas dos Correios listadas no Anexo II do edital de abertura, entre os dias 26 de fevereiro e 9 de março.
Outro edital que já está disponível para consulta é destinado ao preenchimento de 243 vagas de técnico e analista legislativo na Câmara dos Deputados. O salário pode chegar a R$ 9.008,12. O concurso será dividido em duas etapas. As datas dependem do cargo escolhido. As inscrições para o primeiro grupo começam no próximo dia 22 e para o segundo grupo, dia 5 de março. As provas também serão em dias diferentes. Todos os detalhes podem ser conferidos no site www.concursosfcc.com.br.
IBGE
Para o mês de março está prevista a publicação de pelo menos mais dois editais. Um deles será direcionado à criação de mais 3.000 vagas para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O concurso é para a contratação de agentes de pesquisas e mapeamento temporários. O salário, para uma carga horária de 40 horas semanais, é de R$ 600,00. Os aprovados trabalharão na realização do censo 2007. As vagas são para quem tem ao menos o ensino médio.
A inscrição poderá ser feita pela Internet ou em agências credenciadas dos Correios. O prazo de inscrições está previsto para ser de 31 de março a 13 de abril. No Estado de São Paulo devem ser contratados 536 servidores.
O Banco do Brasil também confirmou a realização de um concurso para o preenchimento de vagas de escriturário para o segundo semestre deste ano. Segundo a assessoria do banco, o edital deverá ser publicado entre março e abril. Não haverá número de vagas definido porque o concurso terá como objetivo formar um cadastro de futuros funcionários.
Segundo a assessoria, os aprovados no concurso serão chamados conforme forem surgindo as vagas. No ano passado, o banco fez um concurso semelhante, mas para abastecer as agências apenas da Grande São Paulo. Desta vez, a finalidade é conseguir mão-de-obra para as agências do Interior do Estado.
Os escriturários recebem salário inicial de R$ 856,50, mais um adicional de 25%, o que eleva os vencimentos para R$ 1.070,62. O concurso tem validade por dois anos, podendo ser prorrogado por igual período.
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Metas a cumprir
A imagem generalizada que se tem do funcionário público acomodado, que trabalha pouco e atende mal a população, está começando a mudar. Aos poucos, o serviço público vai se aproximando da filosofia adotada nas empresas privadas com suas metas a cumprir, avaliação constante de rendimento e cursos de atualização profissional.
Na esfera federal, por exemplo, o Ministério do Planejamento, por intermédio da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), está oferecendo aulas de ética aos funcionários aprovados em concursos de diversos ministérios.
Os cursos duram uma semana inteira, com oito horas de aulas por dia. O objetivo é mostrar a esses novos funcionários como funciona o Estado brasileiro e quais são as atribuições de quem trabalha para ele. Com isso, o governo quer acabar com a velha imagem da ineficiência.
Grandes entidades, como o Banco do Brasil e a Receita Federal, são dois exemplos dessa mudança. Os funcionários de ambos têm metas a cumprir e precisam estar sempre atualizados se quiserem permanecer na carreira.
Resultados
De acordo com Newton Ribeiro Machado Neto, gerente regional de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil (BB), responsável por todas as agências do Interior do Estado, a mudança vem ocorrendo gradativamente desde 1995, quando o banco passou a disputar clientes com os demais instituições financeiras do País, principalmente as privadas.
De lá para cá, o BB vem propondo “metas desafiadoras” aos seus funcionários, que não possuem estabilidade de emprego por serem contratados no regime celetista de trabalho. “Cobramos resultados de nossos funcionários, como acontece em qualquer outra empresa”, afirma.
Segundo o gerente, essas metas são coletivas. Ou seja, elas têm de ser cumpridas pela agência como um todo. De acordo com Machado Neto, o desafio estimula o trabalho coletivo dos funcionários.
Ele informou ainda que o banco cobra capacitação permanente de seus servidores e oferece treinamento para dar a eles condições de cumprirem as metas. Além disso, a instituição incentiva a formação superior dos funcionários com o pagamento de bolsa de estudos que chega a até 80% do valor das mensalidades.
Embora não haja estabilidade dentro do banco, o gerente afirma que dificilmente um funcionário é demitido. Prova disso, segundo ele, é a baixa rotatividade de trabalhadores. Ele destacou ainda o fato do banco ser um dos poucos onde os funcionários trabalham até se aposentar.
O banco acredita que ao se sentir seguro na instituição, o funcionário estará satisfeito para trabalhar e buscar resultados.