Saúde

Degeneração macular é ameaça séria à visão

Por Daniela Ortega | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Primeiro as cores vão ficando pálidas e as linhas retas ficam curvas. Depois, são os detalhes que se perdem, como a boca ou os olhos do interlocutor. Por fim, é difícil ver qualquer coisa que esteja na frente, mas o espaço ao redor pode ser reconhecido. Esses são os sintomas de uma doença chamada degeneração macular, uma da principais causas da perda de visão dos idosos.

De acordo com os especialistas, a doença tende-se a tornar cada vez mais freqüente devido ao envelhecimento da população. E o pior: não há cura para o paciente e não há prevenção garantida. Apesar disso, não é preciso desespero. Os tratamentos, mesmo sem proporcionar a recuperação total, melhoram a visão e podem estacionar a doença.

“A mácula é a principal região da visão. Ela é a parte central da retina - órgão responsável pela formação das imagens - e mede milímetros, mas é responsável pela visão central, ou seja, o que está bem na nossa frente’’, explica Ana Regina Vlainch, oftalmologista da Unimed Paulistana.

Segundo a médica, a mácula fica bem no eixo de luz e, por isso, está muito sujeita a doenças por influência do meio externo, como os raios solares. Ainda de acordo com Vlainch, há um tipo hereditário, que é bem raro, e pode acometer jovens. Os principais casos, no entanto, são os em idosos. “Isso acontece por causa da degeneração das células’’, afirma.

As causas ainda não são conhecidas, mas acredita-se que estilo de vida e, principalmente, exposição aos raios solares contribuam para o surgimento da doença. “E não são apenas os raios, mas as próprias luzes a que estamos expostos o dia todo, a TV, o computador. Não há certeza de que isso não provoque a degeneração também’’, explica a especialista.

Carlos Fernando Sawada, oftalmologista do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André, diz que, na maioria dos casos, a evolução é lenta e que o exame de fundo de olho pode detectar a doença mesmo em fase inicial. “Mas, normalmente, o paciente chega com o problema em estágio já mais avançado, reclamando que a visão ficou ruim.’’

São dois os tipos de degeneração: a seca e a exsudativa ou úmida. “A seca é bem grave e não tem solução, porque ocorre a morte celular. A exsudativa acontece pela formação de vasos atrás da mácula e que formam líquidos. Para este, há tratamento’’, afirma Vlainch.

Os médicos, porém, dizem que as soluções são caras. “A retina é um órgão delicado. Quando ela é afetada, o resultado do tratamento não é muito bom’’, diz Sawada. Segundo ele, a tentativa é estacionar a progressão da doença e melhorar, nem que seja um pouquinho, a visão.

De acordo com Vlainch, a solução consiste em tentar destruir a membrana que se formou. Isso pode ser feito com laser, cujo custo é de cerca de R$ 5.000,00 por aplicação e, freqüentemente, é necessário mais de uma, ou com novos medicamentos, injetados diretamente no olho.

“São drogas usadas em quimioterapia. Elas destróem os nervos que se formam e enxugam a mácula’’, explica a oftalmologista. Como é uma técnica nova, o custo também é alto. A médica conta que a injeção custa em torno de R$ 6.000,00 e precisa ser repetida pelo menos cinco vezes.

Nos casos do tipo seco, sem tratamento, Vlainch afirma que a recomendação são vitaminas antioxidantes. “Não há ainda comprovação se elas realmente funcionam. Mas, como não fazem mal, recomendamos para tentar barrar a progressão.’’ Além disso, esse o tipo seco é o que progride mais lentamente e, em alguns casos, acaba estacionando sozinho.

Para quem deseja evitar o problema, não há uma fórmula mágica, mas os médicos recomendam uma alimentação saudável e, sempre que for sair ao sol, usar óculos escuros. “Eles são o filtro solar dos olhos’’, avisa a médica.

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