Caro sr. Joaquim Balestro Negrão de Moraes. Como integrante da Polícia Militar do Estado de São Paulo e companheiro de serviço dos policiais que socorreram o garoto Alan Vitor, não posso ficar indiferente aos comentários tecidos pelo senhor, mesmo que representem sua opinião pessoal, opinião esta que com certeza não compartilha a grande parte da população que, após o fato e divulgação por este jornal, passou a ligar para a 1ª Cia PM, elogiando a ação desses valorosos policiais.
No dia dos fatos, os policiais Fernando e Keila tinham a missão de patrulhar as linhas de ônibus para preventivamente inibir a ação de possíveis atos de vandalismo, tais como aqueles ocorridos na capital do Estado. Os policiais foram solicitados por um cidadão que viu o desespero de uma mãe com o filho desacordado em seus braços e prontamente iniciaram o socorro urgente (ação fundamental que o senhor tenta minimizar) da criança até o PAI. Durante o trajeto (cerca de 20 minutos em condições normais foi feito em 7 minutos), a guarnição mobilizou as equipes de policiamento para o que o JC com muita propriedade chamou de “Corredor da Vida”, pois, como relatou a médica Maria Luiza Cury, que atendeu o garoto, o atendimento rápido foi fundamental para que hoje o garoto Alan Vitor esteja em sua casa fazendo novas “estripulias”.
Não é obrigação constitucional da Polícia Militar a condução de doentes até o socorro médico, portanto, não foi mera obrigação cumprida pelos policiais, e sim o “compromisso com a defesa da vida, da integridade física e da defesa da pessoa humana”, que praticamos todos os dias e noites ininterruptamente.
Esclareço, sr. Joaquim, que os policiais que patrulham nossas ruas por muitas e muitas vezes realizam ações que não fazem parte de suas obrigações, tais como partos, condução de pessoas do PSM até suas residências durante a madrugada, auxílio em reparos mecânicos em veículos ou até mesmo a condução de uma criança desfalecida no colo de uma mãe desesperada até o socorro médico.
Devemos, sr. Joaquim, agradecer a Deus por todos que contribuíram de uma forma ou de outra para que o garoto Alan Vitor tenha sido salvo e não desmerecer o trabalho e atitude que tiveram os policiais.
Carlos Eduardo Salvador