O setor ferroviário recebeu com elogios o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê investimentos no setor. O pacote de obras de infra-estrutura lançado pelo governo inclui projetos há muito tempo esperados pelo setor. Além da Nova Transnordestina, cuja construção teve início no ano passado, prevê a extensão da Ferronorte até Rondonópolis (MT) e da Norte-Sul até Anápolis (GO). Fonte: “O Sorocabano”, ed.128). Outro projeto considerado fundamental é o Ferroanel de São Paulo - um trecho de 63 quilômetros para contornar a região central da cidade. Ressalte-se, porém, que nenhum país de dimensões semelhantes à do nosso apresenta uma disparidade tão acentuada na distribuição de cargas por modais de transporte.
Nos Estados Unidos, a ferrovia transporta 40%, na Rússia 70% e nos países menores como França e Alemanha fica em torno de 40%. No Brasil recai sobre o sistema rodoviário a responsabilidade de escoar 56% de nossas riquezas diante de 25% do ferroviário. Se a nossa distribuição se aproximasse dos padrões norte-americanos , economizaríamos, segundo estudos disponíveis nos meios técnicos, mais ou menos 5 bilhões de dólares em fretes a cada ano.
Basta inferir o que essa soma representa em termos de acréscimo de preço aos produtos para concluir que perdemos, também, em competitividade nos mercados mundiais. Se todos os empreendimentos, previstos no PAC saírem do papel, o setor tem condições de aumentar, dos atuais 25% para até 30% a sua participação na matriz de transportes do País, mas ainda assim é considerado baixíssimo para padrões internacionais.
Wanderley Brosco - chefe-geral de estação aposentado