São Paulo - A roda de samba em um boteco na periferia da zona norte paulistana acabou ontem às 2h15, quando quatro encapuzados em duas motos descarregaram suas pistolas calibres 380 e ponto 40 em um grupo que estava na rua, perto do bar. Nove foram baleados: dois morreram, um está entre a vida e a morte e os outros seis foram socorridos sem gravidade. Caio Cesar de Sá Garcia Preccaro, 19 anos, e o pintor Ailton José da Silva, 36, tomaram cinco e seis tiros, respectivamente. Morreram no hospital. Eles nunca haviam tido passagem pela polícia. Os outros feridos têm idades entre 17 e 40 anos. O que corre risco de morte passou por cirurgia, já que uma bala perfurou estômago e intestino.
Os tiros também atingiram carros e alguns imóveis. Ana Maria dos Santos, 49 anos, desmontava sua barraca de cachorro-quente quando ouviu estampidos. “A gente não sabe mais quando é barulho de moto, quando é barulho de tiro. Foi meu filho que me falou “mãe, é tiro!’ e me puxou pra dentro do bar.” Para uma vizinha de Ana Maria, “isso (o crime) é coisa de polícia, mas é que ninguém tem coragem de dizer”.
Dona do bar, Marcia Pinheirinho, 24 anos, repetia que nada havia ocorrido no interior de seu estabelecimento. Até convidou a reportagem “para ver se havia um pingo de sangue sequer” dentro do bar. Não havia, apenas a bagunça dos copos sobre o balcão, cadeiras esparramadas pelo chão sujo e um cheiro azedo de cerveja do dia anterior. “Foi a correria”, disse. Pouco depois do crime, perto dali, dois homens foram detidos para “averiguação”.
Eles estavam numa moto semelhante a dos assassinos. “Mas fisicamente eles não se parecem com o que foi relatado”, ponderou o delegado Sérgio Alves. Ambos deveriam ser liberados anteontem. Segundo Alves, “todas as hipóteses serão averiguadas”. Entre as quais, a eventual participação de policiais.