Nacional

Índio morre aos 2 anos no MS

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Campo Grande - O menino indígena Nandinho Fernandes, de dois anos e um mês, morreu no fim de semana após ser internado com desnutrição grave no Hospital Universitário em Dourados (MS), informou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Ele morava numa reserva indígena habitada por 11 mil guaranis e caiuás, a 10 km da cidade.

No fim de dezembro do ano passado, havia 15 crianças com desnutrição severa na reserva. Em janeiro deste ano, chegou a 27, ainda conforme a Funasa. Ao assumir o governo do Estado, o governador André Puccinelli (PMDB) suspendeu a entrega de 11 mil cestas básicas a índios.

A distribuição fazia parte do programa Segurança Alimentar, mantido pelo governo anterior e suspenso devido à crise financeira do Estado. A assessoria de imprensa do governador informou que caberia à Funasa falar sobre a morte de Nandinho. Também afirmou que foi pedido ao governo federal para assumir a assistência nas aldeias. A Funasa, que distribui cestas básicas mensalmente, só voltou ao abastecimento normal - que estava atrasado havia 20 dias - na semana passada.

O órgão não relaciona a morte de Nandinho à suspensão do programa do Estado ou ao atraso na entrega das cestas, mas avalia que o aumento de crianças desnutridas pode ser conseqüência desses dois fatos. Conforme números oficiais da Funasa, em 2004 a desnutrição causou 21 mortes de crianças menores de um ano na região sul do Estado. No ano seguinte, foram dois óbitos. Em 2006, ocorreu um caso. Ainda em 2005, a “Folha de S.Paulo” apontou que 15 crianças, menores de cinco anos, morreram de desnutrição nos primeiros meses daquele ano.

A situação levou a Funasa a reforçar a assistência às crianças indígenas no sul do Estado. Antônio Costa, coordenador técnico da Funasa em Dourados, afirmou que os pais de Nandinho recebem cestas de alimentos e que é necessária uma investigação para saber a causa da desnutrição. Os pais da criança indígena morta afirmaram que não faltava comida, segundo o médico da Funasa Zelick Trajber. No entanto, o coordenador Costa disse que a mãe da criança não aceitava internar o menino.

Comentários

Comentários